Backrooms: Um Não-Lugar | Crítica Sem Spoilers
- há 50 minutos
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Backrooms: Um Não-Lugar é a prova de que nem todo fenômeno da internet deveria ser transformado em um longa-metragem de Hollywood. Embora a premissa original de Kane Parsons no YouTube fosse um exercício brilhante de imersão e terror do desconhecido, a versão cinematográfica da A24 tropeça em suas próprias ambições ao tentar transformar um conceito visual visceral em um estudo psicológico cansativo e desnecessário.

O maior erro do filme é o seu roteiro precário e cheio de furos. A trama tenta elevar o material original inserindo núcleos dramáticos que soam, no mínimo, patéticos em comparação com a simplicidade aterrorizante dos curtas. Acompanhamos Clark (Chiwetel Ejiofor), um vendedor de móveis cujo drama pessoal, um casamento fracassado e sonhos frustrados, é usado como uma muleta narrativa para justificar a existência das Backrooms. O filme insiste em transformar aquele labirinto fascinante em uma mera alegoria para o estado mental e o vazio existencial do protagonista, o que retira todo o mistério que tornava a creepypasta interessante.
Outro ponto imperdoável é o excesso de diálogos expositivos. A personagem da Dra. Mary Kline (Renate Reinsve) funciona apenas como um artifício de roteiro preguiçoso, servindo para mastigar interpretações psicológicas para o público e explicar simbolismos que não precisariam ser explicados. Essas interrupções constantes para sessões de terapia e discussões sobre trauma sufocam a experiência de horror, impedindo que o filme mantenha um fluxo constante de tensão nos espaços liminares.

Infelizmente o filme se perde em um ciclo de simbolismos psicanalíticos que tornam as quase duas horas de projeção arrastadas, além de perder a essência da história ao tentar "iluminar" demais os corredores e racionalizar a mitologia das Backrooms, o que acaba por dissolver o medo que existia na escuridão, restando apenas um vazio narrativo.
Ademais, apesar de contar com atores indicados ao Oscar, as figuras humanas são subutilizadas e carecem de profundidade real, servindo apenas como joguetes para que o diretor brinque com a arquitetura do cenário.

Em vez de focar no que realmente importava — o terror primitivo de estar encurralado em um lugar sem sentido —, “Backrooms: Um Não-Lugar” prefere tentar parecer mais inteligente e profundo do que realmente é. O resultado é uma obra que, ao tentar dar respostas demais, esquece que o verdadeiro fascínio da franquia sempre esteve na ausência delas.
Eu, que sou fã das creepypastas e estava ansiosa pelo filme digo que é um projeto que, infelizmente, não dá conta de dar vida plena às suas origens compactas e eficazes.

Por: Ananda Frazão
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