Na Zona Cinzenta | Crítica sem Spoilers
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O filme acompanha dois especialistas em resgate encarregados de proteger uma negociadora milionária. Juntos, eles precisam recuperar uma fortuna roubada em uma ilha fortemente protegida, transformando a missão em uma verdadeira guerra de sobrevivência, estratégia e traições.

A história já começa com muita ação, trazendo um momento do terceiro ato em que Sophia (Eiza González) aparece em meio ao caos, narrando a situação em que se encontra. Essa introdução serve para ambientar o espectador na dinâmica do filme antes de retornarmos ao início dos acontecimentos. O enredo não apresenta grandes inovações e, inclusive, para quem gostou da experiência de “Guerra Sem Regras”, da Prime Video, a proposta é bastante semelhante: muita ação, explosões e, claro, aquela clássica suspensão da descrença, considerando que os vilões parecem ter uma péssima mira.

Ainda assim, o filme é bem executado. A trama apresenta a problemática envolvendo um mafioso poderoso que se recusa a pagar suas dívidas justamente pelo poder que possui, uma empresa milionária tentando preservar sua reputação enquanto gerencia negociações perigosas e, por fim, pessoas capacitadas para resolver situações que ninguém mais consegue solucionar. Dessa forma, os protagonistas atuam em uma verdadeira zona cinzenta, não estando exatamente do lado do “bem” nem do “mal”, mas sim onde for necessário para resolver os impasses deixados pelos outros.

Eiza González nos é apresentada como Sophia, uma negociadora poderosa, especializada em lidar com problemas considerados impossíveis. Ao seu lado está um grupo de especialistas em resgate formado por Sid e Bronco (Henry Cavill e Jake Gyllenhaal), além de outros personagens extremamente leais à sua comandante. Henry Cavill interpreta um excelente manipulador e investigador, responsável por lidar com o lado corrupto do vilão e manipular aqueles que cercam o chefe do cartel. Ele entrega um personagem calculista e centrado, sem exageros, mas extremamente funcional dentro da proposta do filme. Particularmente, acredito que Cavill combina muito bem com filmes de ação.

Já Jake Gyllenhaal assume um papel mais sarcástico e impulsivo, sendo o responsável por coordenar toda a força-tarefa de preparação e execução do plano. Sua dinâmica com Cavill funciona muito bem, criando uma relação de opostos que se complementam. Essa química provavelmente também se deve ao fato de ambos já terem trabalhado anteriormente com o diretor Guy Ritchie.

Carlos Bardem interpreta Manny Salazar, o chefe da máfia. Seu papel é mais discreto e funciona principalmente como a figura do antagonista a ser enfrentado. Manny é arrogante, vingativo e extremamente vaidoso, alguém que, apesar de todo o poder que possui, perde completamente o controle quando começam a mexer em seus “brinquedos”.

As cenas de ação são extremamente bem executadas, recheadas de explosões, tiroteios e perseguições em diferentes cenários: terra, ar e água. O filme consegue envolver o espectador na dinâmica da missão e nas estratégias utilizadas pela equipe. Como já mencionado, existem ressalvas em relação à conveniência exagerada da mira dos inimigos, mas isso não diminui o espetáculo visual e o frenesi constante presentes na maior parte da produção.

A fotografia e o figurino também merecem destaque, contribuindo bastante para a ambientação de luxo, poder e perigo que o filme propõe. Os cenários ajudam a reforçar essa sensação de grandiosidade e exclusividade, contrastando bem com o caos das sequências de ação.

Apesar de todos esses pontos positivos, sinto que o filme poderia ter entregado mais. A postura inicial da personagem de Eiza González me incomodou um pouco por transmitir uma sensação excessiva de invencibilidade e intocabilidade. No entanto, conforme a trama avança, a personagem se torna mais interessante ao revelar seus medos e vulnerabilidades, algo que ganha maior atenção especialmente no terceiro ato. Ainda assim, mesmo cumprindo exatamente o que promete dentro do gênero, fica a sensação de que faltou algo para tornar a experiência realmente memorável.

Uma curiosidade interessante é que o filme quase não saiu do papel devido a problemas durante sua produção. E isso acaba ficando perceptível na divisão dos três atos, principalmente no último, que passa a sensação de pertencer quase a outro filme, tanto em tom quanto em desenvolvimento.

Por fim, devo dizer que este é um filme divertido e que certamente agradará aos fãs de ação. Não é uma inovação dentro do gênero, mas entrega uma experiência bastante divertida para assistir em um final de semana.


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