Star Wars: O Mandaloriano e Grogu | Crítica sem Spoilers
- há 11 horas
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Depois de anos longe das telonas, Star Wars finalmente volta ao cinema apostando justamente em sua criação mais popular da era Disney. E talvez a maior surpresa de O Mandaloriano e Grogu seja justamente não tentar carregar o peso de “salvar” a franquia. Depois do desgaste das prequels, da divisão gigantesca causada pelos sequels e de uma saga que passou anos tentando desesperadamente reencontrar sua identidade, o filme entende algo simples: talvez Star Wars funcione melhor quando para de tentar ser um evento gigantesco e volta a ser apenas uma boa aventura espacial.

Isso fica ainda mais curioso vindo logo depois de Andor, facilmente a melhor coisa que Star Wars produziu em mais de 15 anos. A série elevou o nível da franquia de uma forma tão absurda, madura e politicamente afiada, que qualquer novo projeto inevitavelmente seria comparado a ela. E O Mandaloriano e Grogu parece inteligente o suficiente para nem tentar competir nesse terreno. Em vez disso, escolhe seguir pelo caminho oposto: puro entretenimento.

E isso acaba criando até um contraste interessante com Rogue One, justamente o filme diretamente conectado a série Andor. Porque mesmo sendo uma história isolada, Rogue One carregava um peso gigantesco ao servir como ponte direta para Uma Nova Esperança. Existia ali uma sensação real de consequência, de importância histórica dentro daquele universo. Já O Mandaloriano e Grogu não parece interessado nesse tipo de responsabilidade. Ele prefere funcionar quase como uma aventura paralela dentro da galáxia, sem precisar alterar drasticamente os rumos da franquia.

A trama acompanha Din Djarin e Grogu trabalhando ao lado da Nova República enquanto enfrentam remanescentes do Império espalhados pela Orla Exterior. Existe uma missão envolvendo Rotta, o filho de Jabba the Hutt, agora adulto, além de toda aquela atmosfera clássica de caçadores de recompensa, perseguições espaciais, criaturas estranhas e cantinas caóticas que sempre fizeram Star Wars parecer um universo vivo. O roteiro deixa claro desde cedo que não está interessado em criar algo gigantesco dentro da mitologia da saga. É uma aventura isolada, quase episódica, feita simplesmente para passar mais tempo com esses personagens.

E Jon Favreau entende perfeitamente esse espírito. A direção não tenta reinventar nada, mas sabe manter o filme em movimento o tempo inteiro. As cenas de ação funcionam muito bem, especialmente nas cenas de lutas e trocas de tiros como também nas perseguições aéreas, e existe um senso constante de aventura que remete diretamente ao clima mais leve da trilogia original. Visualmente, o filme também acerta bastante ao recuperar uma estética mais prática e palpável, com criaturas, figurinos e cenários que finalmente parecem ter vida de verdade.

Pedro Pascal já domina completamente Din Djarin nesse ponto, conseguindo transmitir emoção mesmo atrás do capacete, ainda que em muitos momentos pareça mais um trabalho de voz do que uma presença física real no set. Mas quem realmente brilha aqui é Grogu. Diferente da série, onde muitas vezes funcionava mais como peça emocional ou mascote, o personagem ganha importância real dentro da narrativa. O filme entende o quanto o público se conectou com ele, mas também percebe que Grogu precisava participar mais ativamente da história. E funciona. Existe mais presença, mais personalidade e até mais protagonismo nas decisões que movem a trama. A relação entre ele e Din continua sendo o coração emocional do filme, mas agora Grogu deixa de apenas acompanhar a aventura para realmente fazer parte dela.

A trilha sonora também merece destaque. Ludwig Göransson retorna e novamente encontra um equilíbrio muito interessante entre o faroeste espacial moderno que criou para The Mandalorian e pequenos ecos das trilhas clássicas de John Williams.
Sigourney Weaver traz presença imediata como a coronel Ward, enquanto Jeremy Allen White surpreende bastante ao dar voz a Rotta the Hutt. E talvez o momento mais inesperado do filme seja Martin Scorsese, dublando um vendedor Ardennian de quatro braços em uma participação rápida, mas divertida o suficiente para funcionar perfeitamente dentro desse clima mais descontraído de aventura.

Ao mesmo tempo, é impossível ignorar que O Mandaloriano e Grogu quase nunca parece um filme pensado especificamente para o cinema. Durante boa parte da duração, a sensação é de assistir a um episódio extremamente caro da série. A história começa e termina praticamente no mesmo lugar, sem grandes consequências ou mudanças realmente importantes para a franquia, algo que talvez devesse ter um pouco mais de peso justamente por marcar o retorno de Star Wars às telonas.
Mas talvez isso também seja parte do charme. Depois de tanto tempo vendo Star Wars tropeçar tentando parecer grandioso o tempo inteiro, existe algo refrescante em um projeto que simplesmente quer entreter. E sinceramente, depois dos excessos, das decisões questionáveis e do caos narrativo que marcaram boa parte da franquia nas últimas décadas, talvez esse retorno mais simples fosse exatamente o que Star Wars precisava agora.

No fim, O Mandaloriano e Grogu funciona porque entende seus próprios limites. Não é revolucionário, não alcança a profundidade de Andor e provavelmente não vai redefinir os rumos da saga. Mas entrega aventura, coração e aquele velho espírito de Star Wars que muita gente sentia falta há anos. E às vezes, isso é suficiente.
Agora fica a curiosidade para ver como Star Wars: Starfighter, estrelado por Ryan Gosling e previsto para o próximo ano, vai encontrar seu espaço dentro desse universo, seja ampliando novos caminhos para a franquia ou apenas entregando mais uma aventura isolada em meio à vastidão da galáxia.


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