Supergirl | Crítica sem spoilers
- há 55 minutos
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Com a proposta de expandir os horizontes do novo universo compartilhado, a nova produção da DC chega aos cinemas trazendo a responsabilidade de apresentar uma figura já conhecida dentro da comunidade nerd para as telas neste novo universo de super heróis. Já irei adiantar boa parte do texto desta crítica, não dá para falar sobre este filme sem mencionar o seu antecessor, Superman, lançado em 2025, nem sobre a mão de James Gunn no comando do DCU. A expectativa era alta, e o resultado final nos deixa diante de uma obra que tenta criar uma atmosfera própria, ao passo que tenta ligar a dinâmica clássica de Gunn com uma mistureba visual e narrativa que vai de Guardiões da Galáxia até lampejos de Mad Max e John Wick, com direito a cachorro e tudo. No fim, o que vemos em tela é um filme que patina um pouco para encontrar uma identidade inteiramente sua.

Sob o comando do diretor Craig Gillespie, a história nos apresenta àquele clássico arquétipo do personagem que não quer ser o herói, mas que em algum momento acaba sendo arrastado para o olho do furacão. Sob essa premissa, acompanhamos uma protagonista que está amadurecendo e lidando com seus próprios dilemas. Esteticamente, a primeira parte do filme é meio empoeirada, escura e crua, mas com o andar da carruagem a projeção até tenta ficar mais colorida. Ainda assim, fica nítido o esforço em querer passar um ar de filme mais sério, que deseja se distanciar do tom estabelecido no filme do Superman do ano passado, o que é natural, já que são obras diferentes, que transmitem mensagens independentes.

A atriz Milly Alcock, no papel de Supergirl, é genuinamente boa e a personagem é bem construída, sendo o grande acerto da produção. Porém, de fato, o filme não empolga tanto quanto eu gostaria, e boa parte do que está ao seu redor acaba sendo pouco instigante para fazer o telespectador se importar de verdade. O Lobo, interpretado por Jason Momoa, é um reflexo disso, ele entra, faz sua cena, faz a pose marrenta, solta uma piada, joga um CGI na tela com uma fala engraçada e sai de cena. É um personagem que poderia ter sido muito mais bem aproveitado dentro da trama, mesmo sabendo que o filme pertence à Supergirl. E eu não vou nem me dar tanto ao trabalho para falar do contraponto dessa história que é o vilão Krem, interpretado por Matthias Schoenaerts. Ele nada mais é do que um brutamontes malvado e só isso, fazia tempo que eu não via um vilão tão ruim e sem propósito. Ele não serve nem para funcionar como uma alavanca nas motivações da protagonista ou para ser algo real a se superar, na verdade é até cômico ver um vilão tão fraco bater de frente com a Supergirl. Quanto aos demais atores, eu não consegui dar a devida consideração, todos entregam atuações muito simplórias.
O destaque vai para a personagem Ruthye Marye, que parece funcionar muito mais como um mero artifício de roteiro para gerar confusão para a Supergirl resolver do que como alguém que está de fato desenvolvendo uma história que nos cative, chegando a me fazer revirar os olhos no cinema. Em contrapartida, vale a menção honrosa de que as poucas cenas do Superman interpretado por David Corenswet estão muito bacanas, mantendo o excelente nível do longa anterior.

Sobre a filmagem, o trabalho de Gillespie é simples e entrega exatamente o que você espera ao tentar misturar Guardiões da Galáxia, Superman e, para temperar, jogar uma areia por cima pelo fato de os personagens estarem em um planeta sujo. A direção inclui aquelas sequências manjadas com muitos coadjuvantes em tela para dar uma sensação de grande luta, joga uma música divertida de fundo e pronto, está formatada praticamente cada cena de ação desse filme. E eu nem vou me estender muito sobre a questão dos bonecos digitais e efeitos de CGI. Mais uma vez, quando os dublês virtuais entram em tela, a artificialidade fica evidente, mas, enfim, essa já é uma luta perdida no cinema de heróis atual.
Essa falta de uma identidade mais firme incomoda um pouco, principalmente pelo fato de o filme apresentar uma personagem com tanto potencial de tela. Nessa parte eu admito que, assim como o herói Superman, a Supergirl nunca tinha me cativado antes. Mas, irônica e felizmente, tanto este filme quanto o de 2025 me apresentaram personagens bastante interessantes para se acompanhar. Achei legal podermos ver trechos de sua vida, entender como era sua realidade, o que aconteceu com o seu planeta natal, a relação com sua família, para onde ela ia e quais eram as suas dúvidas ao crescer, porém tudo isso é entregue através de flashbacks muito mal encaixados, que quebram o ritmo da narrativa só para podermos entender o background. O roteiro de Ana Nogueira traz um pano de fundo que é bacana e a expectativa gerada para o futuro é boa.

Volto a repetir para encerrar esta conversa, o filme carece de uma identidade própria. Agora mesmo, enquanto escrevo e penso sobre a experiência, me vêm à mente cenas de Guardiões da Galáxia, que, inclusive, são bem mais divertidas e interessantes do que as que testemunhei aqui. Sinto que, ao querer fazer de tudo um pouco para agradar ao público e tentar seguir os trilhos comerciais de James Gunn, a direção e o roteiro de Ana Nogueira não conseguem entregar nada perfeitamente redondo. Parece uma colcha de referências com um "S" estampado no peito. Fico pensando em como a obra se sairia se estivesse menos preocupada em agradar a tantos nichos e mais focada em ser um filme voltado para si mesmo.

Termino a sessão com boas expectativas para o futuro do que irá vir no DCU. Para este título específico, eu diria que, caso haja interesse, vá e aproveite, mas vá sabendo que este não será o filme marcante da personagem, pois ela corre o sério risco de acabar ofuscada da lembrança do grande público pelo brilho que o Superman continua mantendo.


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