O Diabo Veste Prada 2 | Crítica Sem Spoiler
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Existe algo curioso, e até um pouco perigoso, em revisitar clássicos que marcaram uma geração. O Diabo Veste Prada não foi apenas um sucesso de bilheteria em 2006, mas um fenômeno cultural que definiu estética, humor e personagens memoráveis. Por isso, ao sair da sessão de pré-estreia de O Diabo Veste Prada 2 (29/04/2026), antes de sua estreia oficial no Brasil, marcada para 30 de maio de 2026, a sensação é dupla: existe um reconhecimento imediato e uma certa frustração difícil de ignorar.

Com o retorno de nomes de peso como Anne Hathaway, Meryl Streep e Stanley Tucci, além de uma produção que envolve profissionais já associados ao sucesso do primeiro filme, a expectativa naturalmente se elevava.
Desde os primeiros minutos, fica evidente que a produção aposta fortemente na nostalgia como principal motor. Há uma série de momentos construídos para evocar lembranças do primeiro filme, com situações, enquadramentos e até dinâmicas entre personagens que remetem diretamente ao que funcionou no passado. Essas escolhas funcionam como acenos claros ao público, gerando reconhecimento imediato e, em alguns casos, até certo charme.

No entanto, esse recurso é utilizado de forma recorrente e, em vez de enriquecer a experiência, acaba evidenciando a falta de novas ideias. Em vez de expandir o universo, a narrativa parece confortável em repetir fórmulas, o que torna a experiência previsível em vários momentos.
O maior problema de O Diabo Veste Prada 2 está em seu roteiro. A trama apresenta conflitos pouco desenvolvidos e, principalmente, uma antagonista que não convence. Sua motivação é fraca, mal construída e, em determinados momentos, sequer parece fazer sentido dentro da lógica da narrativa. Essa fragilidade compromete o impacto dramático do filme, que nunca atinge um verdadeiro senso de urgência ou tensão.

O desenvolvimento do enredo também sofre com um ritmo irregular. Enquanto alguns trechos se alongam sem necessidade, o terceiro ato surge apressado, resolvendo situações de maneira conveniente e sem o devido aprofundamento. Essa sensação de pressa no desfecho prejudica o fechamento emocional da história, deixando lacunas e decisões pouco explicadas. Elementos importantes são introduzidos sem o devido contexto, o que contribui para uma narrativa fragmentada.
Outro ponto que não se sustenta é o núcleo romântico. A relação apresentada necessita de uma construção (que desde o início não parecia ser o foco) e não estabelece conexão com o espectador. Falta desenvolvimento, falta química e, principalmente, falta motivo para que o público se importe com o destino do casal. Em um filme que depende de relações interpessoais para gerar impacto, essa ausência pesa significativamente. Andy Sachs, protagonista interpretada por Anne Hathaway, não precisava de um par romântico para fazer-se "funcionar", resultando em um romance desnecessário.
Ainda assim, o longa encontra pontos positivos em sua execução técnica. A fotografia é elegante, com enquadramentos que valorizam tanto os personagens quanto o universo da moda, destacando grandes marcas de luxo, alta-costura e o fabuloso mundo das mídias. O figurino, como esperado, é um dos grandes destaques, funcionando quase como um personagem à parte. Os looks são variados, marcantes, bem elaborados e reforçam a identidade visual da obra, sendo, sem dúvida, um dos elementos mais consistentes do filme.

A trilha sonora cumpre seu papel, acompanhando o tom da narrativa sem grandes destaques. Embora bem escolhida, falta à música momentos realmente marcantes que elevem as cenas a outro nível. Ela funciona, mas não permanece.
No elenco, o trio principal sustenta boa parte do filme. Anne Hathaway retorna com segurança ao papel, mantendo o carisma que marcou sua personagem, ainda que limitada pelo material que recebe. Meryl Streep, mais uma vez, demonstra domínio absoluto em cena, com presença e precisão, mesmo com um arco menos impactante do que no original. Já Stanley Tucci continua sendo um dos pontos mais agradáveis, trazendo leveza e timing cômico que ajudam a equilibrar o tom da produção.
Apesar desses méritos, o filme não consegue capturar a essência que tornou o primeiro tão marcante. Falta frescor, falta identidade própria e, principalmente, falta uma narrativa que justifique sua continuidade. Tudo soa excessivamente seguro, como se a produção evitasse riscos ao máximo. Particularmente, acredito que a primeira hora do filme se arrasta dando a impressão de um ritmo mais lento, contudo, os minutos finais compensam excessivamente, criando conflitos e soluções rápidas, sem nenhum aprofundamento ou justificativas plausíveis, que façam o espectador se envolver.

No fim, O Diabo Veste Prada 2 é um filme que funciona como experiência nostálgica para fãs, oferecendo momentos divertidos e visualmente atraentes. No entanto, sua dependência do passado e a fragilidade de seu roteiro impedem que ele se destaque por méritos próprios. É uma continuação que entretém, mas dificilmente deixa uma impressão duradoura, reforçando a sensação de que, às vezes, nem todo clássico precisa de continuidade.
Por: Bianca Ribeiro.

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