A Morte de Robin Hood | Crítica sem Spoilers
- há 15 minutos
- 2 min de leitura

Eu começo essa crítica sendo bem direto. Se você espera um retorno daquele Robin de Locksley, "Herói dos Ladrões", que roubava os ricos para dar aos poobres e, muitas das vezes até tinha apresentações "pós-roubo" com direito a trilha sonora marcante, assim como eu esperei, esqueça totalmente. Aqui em "A Morte de Robin Hood", ele é retratado como um velho arrependido da vida, amargurado e extremamente violento, depois de anos de crimes, cansado do que fez e tentando lidar com o restante da vida.
O diretor Michael Sarnoski, de "Um Lugar Silencioso: Dia Um", abusa da violência como base do contexto pra refletir a história, fazendo questão de espremer os sentimentos dos atores, induzindo cada personagem a atingir suas versões mais extremas, destacando a raiva de cada um, atingindo o mais puro ódio e estresse, além de fazer dos gritos de dor e vingança, a maior parte dos diálogos, que eram poucos, e só moviam o público da sala pro tédio.

Esses diálogos, perpassam entre arrependimento, culpa extrema e tons de tristeza. Nenhum alívio cômico, nenhuma conversa simples sem precisar arrancar tripas e miolos, totalmente sem humor. Tudo é sombrio e obscuro, assim como a própria fotografia do filme - que pasmem, depois da apresentação do protagonista, é filmado em uma perspectiva vertical - explicada por Sarnoski .
Muito me desagrada o fato de transformarem Robin Hood em um ‘velhote’ frágil e humilhado, buscando uma redenção após anos e anos de crimes.
Aqui, Hugh Jackman interpreta o ladrão de ricos em uma visão dramática, lenta, mas muito direta e, em vários momentos, unicamente brutal, tendo me chocado por duas vezes dentro do ápice da crueldade, e esse foi um detalhe que eu não esperava assistir, mas que moveu as cenas ao insano, dentro da premissa do filme.
Bill Skarsgård em sua breve aparição, também se apresenta muito visceral, seguindo a premissa com perfeição, sendo um João Pequeno totalmente animalesco, revelando o comportamento após uma sequência-chave no longa. Basicamente, Robin Hood e seu fiel escudeiro perdem sua essência “viva” do clássico original e se tornam totalmente obscuros, com uma abordagem totalmente sanguinolenta, o que estraga a experiência.

Jodie Comer também entra nessa avaliação como uma grata surpresa. Interpretando a Irmã Brigid, prioresa que na história original trai o herói, aqui ela surge como uma ajudante, que dá a chance de Robin se redimir pelos erros, ajudando em sua rápida estadia no Priorado de Kirkless.
Então, caro leitor... Se você é igual a mim, que gosta da versão clássica do “Herói dos Ladrões”, é um filme perdível, pode pensar dez vezes antes de ir e terminar nem indo, pra não se decepcionar tanto quanto eu. Agora, se você é daqueles cinéfilos que 'se amarra' em ver sangue voando em um filme de ação medieval unido à história de arrependimento e culpas acumuladas, fique à vontade, que esse é o tipo de longa que vai prender a sua atenção (ou não), por todas as duas horas de exibição.


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