Homem-Aranha: Um Novo Dia (Crítica Sem Spoilers)
- há 8 minutos
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Fala Bangers! Se tem uma coisa que a gente vinha discutindo nos últimos tempos é se o Universo Cinematográfico da Marvel conseguiria reencontrar aquela magia de antigamente. Depois de tantas idas e vindas pelo multiverso, Homem-Aranha: Um Novo Dia chega aos cinemas não apenas para colocar o Peter Parker de volta nos eixos, mas para provar que Tom Holland é, hoje, o grande pilar do MCU. Dirigido por Destin Daniel Cretton (Shang-Chi), o filme faz exatamente o que o final de Sem Volta Para Casa prometia: um reinício mais visceral, isolado e pé no chão. Esqueça as viagens interdimensionais por um segundo. Aqui, temos um Peter Parker lidando com o peso devastador do esquecimento. Ninguém sabe quem ele é. A solidez de ver MJ (Zendaya) e Ned (Jacob Batalon) seguindo suas vidas na faculdade sem a menor lembrança da sua existência cria uma atmosfera de solidão e luto que paira sobre cada segundo de tela.

E é aí que o Tom Holland brilha de um jeito que a gente nunca tinha visto. Liberado das amarras de ser o "sucessor do Homem de Ferro" ou de ter o suporte de bilionários, Holland finalmente interpreta o Homem-Aranha na sua essência clássica dos quadrinhos: o herói que conta piadas para não chorar, o cara que acumula derrotas na vida pessoal, mas que nunca deixa de erguer a cabeça para proteger Nova York. A atuação dele mesmo debaixo da máscara, usando pura linguagem corporal e um ritmo impecável de comédia física, é de tirar o chapéu.

Mas o filme não vive só de melancolia. Cretton traz para a direção uma dinâmica de ação incrível. O balanço das teias pelas ruas e prédios de Nova York recupera aquela sensação de espetáculo e escala que tínhamos na trilogia clássica do Sam Raimi, combinando efeitos práticos com um uso muito mais orgânico de CGI.
Claro que sendo um filme do MCU, o longa não está imune a certas "obrigações de franquia". A participação do Frank Castle / Justiceiro (Jon Bernthal) traz uma dinâmica divertida de dupla inesperada que funciona super bem com o tom mais urbano do Aranha. Por outro lado, a inclusão de Bruce Banner / Hulk (Mark Ruffalo) às vezes soa um pouco inchada dentro do roteiro, servindo mais para amarrar o filme ao universo expandido do que para somar à jornada dramática de Peter.

Quem realmente rouba a cena e traz um frescor gigantesco é a adição de Sadie Sink ao elenco. A personagem dela injeta um mistério sombrio, focado em trauma, e adiciona uma química perigosa e envolvente com o Peter. Junto com isso, as cenas entre Holland e Zendaya continuam sendo o verdadeiro coração pulsante da narrativa; a carga emocional e a dor do não-reconhecimento entre os dois rendem os momentos mais maduros de toda a franquia.

Posso até arriscar sem medo algum, este é o melhor filme do Homem-Aranha desde o segundo filme da trilogia de Sam Raimi, é isto. O longa possui um excelente roteiro, ótimos textos, cenas de ação incríveis, atuações primorosas, efeitos especiais que cumprem bem o papel e vários Fan-Services colocados pontualmente na narrativa que não embolam ou atrapalham o desfecho da história. O filme diverte muito e ainda amarra com o MCU as próximas grandes aventuras que o nosso herói vai enfrentar mais pra frente.

No fim das contas, Homem-Aranha: Um Novo Dia prova que a Marvel não precisa de crises de escala cosmica para entregar um filmaço. O que atrai o público para o cinema são os conflitos humanos, os rostos e as emoções genuínas. É um filme envolvente, com uma trilha sonora que encaixa perfeitamente e um ritmo que deixa claro: o Homem-Aranha prime chegou, e o futuro do MCU está em excelentes mãos.


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