Venom | Crítica

Atenção possíveis SPOILERS abaixo!



O benefício de adaptar qualquer propriedade intelectual existente para a tela do cinema, é que os estúdios sempre sabem que existe uma grande audiência esperando ansiosamente para assistir/consumir ($$$) o produto. Seja o material adaptado de um livro, um videogame ou até mesmo de uma linha de brinquedos, a lógica é simples e direta: "se alguém gostou de uma história em seu meio original, provavelmente ficará curiosa o suficiente sobre uma versão do filme". E isto também é verdade no que diz respeito as histórias em quadrinhos. Os roteiristas precisam apenas fazer uma referência a um determinado enredo em seu roteiro ou adicionar uma cena pós-créditos de um vilão aclamado dos fãs, e bingo! Na maioria das vezes, as pessoas que amam a propriedade original respondem de forma positiva à adaptação.


Mas para um filme de grande orçamento ter sucesso, ele também tem que funcionar para todos os outros, o grande público e não apenas para os superfãs. E é aí que o Venom de Ruben Fleischer tem sérios problemas. O filme é um verdadeiro acidente de trem, uma bagunça cinematográfica, com roteiro fraco e atuações medianas, misturando e combinando tons descontroladamente dissonantes, invenções de enredos bizarros e uma "performance" de direção verdadeiramente única. O longa está cheio de momentos estranhos em cenas mal dirigidas, em alguns momentos lembra os filmes de super-heróis dos anos 90.


Tom Hardy interpreta Eddie Brock, um jornalista investigativo com seu próprio programa de TV dedicado a derrubar os poderes corporativos malignos. Um dia, Eddie é designado para fazer um artigo sobre a 'The Life Foundation'. Por outro lado, Dr. Carlton Drake (Riz Ahmed), é um magnata da tecnologia e megalomaníaco, que acredita que a extinção da raça humana é uma questão de tempo. Anne Weying (Michelle Williams) é a noiva de Brock e trabalha em um escritório de advocacia que representa a fundação de Drake. Tudo parece correr bem até Eddie invadir o computador da noiva para encontrar provas incriminatórias e depois fazer uma pegadinha em sua entrevista com Carlton Drake.


Como resultado, a vida de Eddie vira de ponta cabeça: Anne o deixa, ele perde o emprego e, seis meses depois, ele está reduzido a procurar um emprego de lavador de pratos. É aí que a Dra. Dora Skirth (Jenny Slate) se aproxima dele para explicar que ela trabalha para Drake, e que ele tem feito experiências de seres humanos com formas de vida alienígena, os chamado "simbiontes". Desesperado, Eddie resolve investigar, e é infectado por um simbionte que eventualmente se apresenta a ele como Venom.



Venom dá a Eddie força sobre-humana, poderes de cura, e convenientemente toma conta das mãos e pernas de Eddie para ajudá-lo nas lutas. Algumas vezes, Venom simplesmente assume o controle completamente, transformando Eddie em um enorme monstro preto e branco com dentes rangentes e uma propensão para comer a cabeça das pessoas.


Uma das coisas mais importantes sobre este filme, é que Tom Hardy fez um trabalho incrível. Seu personagem não necessariamente funciona ou até faz sentido dentro do contexto do filme, mas ele dá o melhor de si, e com muito esforço consegue dar vida a Eddie Brock. Hardy é sempre assistível, não importa o papel, ele constrói seu personagem quase inteiramente a partir de comportamentos, e se o público não se diverte com alguns maneirismos estranhos de Brock em uma cena, as chances são de que Hardy empregará um novo conjunto de truques na próxima.


Em Venom, parece que o filme inteiro está lutando contra si mesmo. A cinematografia de Matthew Libatique (Cisne Negro) é melancólica e sinistra, uma boa base para o momento sinistro que surge quando Eddie é infectado. Mas, em vez de abraçar o aspecto mais assustador do personagem Venom, o filme foge totalmente disso.


ONDE A SONY ERROU?


Quando a Sony Pictures anunciou o filme pela primeira vez, os fãs esperavam no mínimo por uma classificação +18 (R-Rated nos EUA). O estúdio estava lançando sua própria série de filmes do Homem-Aranha que estão desconectados do Universo Cinematográfico da Marvel (Marvel Studios), neste caso, um Venompara maiores de 18 anos teria sido uma maneira inteligente de diferenciar os projetos da Sony das ofertas mais familiares da Marvel/Disney. Mas em seu corte final, Venom acabou recebendo a classificação PG-13, explorando mais o lado do humor do que os aspectos mais perturbadores do personagem principal. Enquanto Eddie lida com a infecção do simbionte, ele desfila através de sequências cheias de comédia. Eddie não consegue parar de comer bolinhos! Eddie se transforma em Venom só pra dar um escracho em seu vizinho que fazia barulho tocando guitarra! Eddie entra em um aquário em um restaurante chique - antes de comer uma lagosta ainda viva!


NOS FAZ LEMBRAR DE "BATMAN & ROBIN" DOS ANOS 90, ALGUMAS VEZES...


O filme é completamente dissonante, relembrando muito alguns filmes de heróis dos anos 90, transformando sua história em saco de risadas, e tenta descaradamente pegar carona no sucesso de Deadpool.


O relacionamento entre Eddie e Venom é, em última instância, o elemento emocional mais efetivo do filme. Williams e Hardy não têm química - embora seja difícil torcer pelo relacionamento do casal depois que Eddie invade o computador da noiva. Ahmed poderia muito bem sentar e girar um bigode imaginário, dado quantos Discursos clichês ele é forçado a fazer.



'Venom' parece um filme da era dos filmes de herói desleixados e inconsistentes que predominaram antes do incrível 'Batman: Cavaleiro das Trevas' de Christopher Nolan, e do manager do Universo Cinematográfico da Marvel, Kevin Feige, demonstrar como os filmes de super-heróis podem ser dramáticos e eficazes. Este filme é mais útil como um contraponto ou um exemplo do que não fazer, mostrando que, mesmo tendo personagens queridos pelos fãs, certas coisas como tom, foco, roteiro e planejamento deve ser tratadas com mais cuidado. NOTA: 5/10


Veja o trailer:


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