Critica: O Último Duelo (Com Spoilers)

Um filme impressionante, e necessário para todo mundo! Esse foi meu primeiro pensamento ao subir dos créditos. Acho que antes de tudo vale enfatizar que essa não é uma obra para pessoas sensíveis, pois as cenas de violência são bem fortes, podendo servir de gatilho para algumas pessoas.


Pôster do filme

O filme é baseado no livro de Eric Jager, de mesmo nome, a história se passa na Idade Média francesa, no ano de 1386. O enredo conta a história real do último duelo ocorrido na França medieval sob o decreto do Parlamento de Paris. A obra tem uma fotografia linda e em certos momentos fica claro que algumas cenas foram gravadas em locações reais, trazendo mais veracidade à trama. Além disso, os figurinos são impecáveis, seja as roupas volumosas e opacas da época, seja as armaduras dignas de qualquer cavaleiro medieval. A cereja do bolo é a trilha sonora épica que nos imerge de vez na história.


Inicio da luta: Mais que um duelo, uma batalha de egos

A trama traz uma crítica social emocionante, ao abordar como o crime de estupro era tratado naquele momento, a ideia de desonra para o marido, os questionamentos se a mulher está falando a verdade, os conselhos para se calar e principalmente o abandono por aqueles que se tinha confiança é assustadoramente atual. A força de Marguerite (Jodie Comer) é impactante, uma mulher muito à frente de seu tempo. Ela não enfrenta apenas o marido ao falar do abuso, mas toda uma sociedade que passa a vê-la com maus olhos. Além de tudo isso, ao seu caso ser relatado a realeza e o duelo decretado, Marguerite descobre que, caso o seu marido perca, ela vai ser queimada viva na fogueira em praça pública, deixando claro toda a influência da igreja no tempo.


Jodie Comer interpretando maravilhosamente Marguerite de Carrouges

É importante saber que a trama conta três visões de uma mesma história, primeiro temos a visão de Jean de Carrouges (Matt Damon) o marido, Jacques Le Gris (Adam Driver) o amigo traidor, e Marguerite de Carrouges (Jodie Comer) a vitima de toda a história. Te fazendo questionar cada personagem, e por muitas vezes se questionar por estar se deixando levar por certas visões. Tática essa que foi bem assertiva, te prendendo ainda mais ao filme.


Ben Affleck como o imoral comandante

Ao se tratar do duelo que dá nome ao filme, não espere nada menos que violência, muita violência mesmo, chegando em alguns momentos a ser angustiante. Por se ter uma certa tolerância a violências gráficas nos filmes, não achei que esse momento me impactaria tanto. Mas para minha surpresa, ele me fez arrepiar, me contorcer e em alguns momento virar o rosto. Com isso posso afirmar que a cena cumpriu bem seu papel e não apenas por isso a sensação de tensão para o possível desfecho da história é angustiante também porque ambos os castigos são trágicos. Quando finalmente temos o resultado, e temos a punição ao perdedor, é impossível não se chocar com aquele corpo sendo arrastado por toda a cidade.


Uma das cenas mais fortes e significativas do filme

O elenco devo dizer que está perfeito. Jodie Comer como Marguerite nos entrega uma mulher inicialmente apaixonada, mas que não sente mais seu amor, nem prazer pela pessoa que está ao seu lado, que apesar de ter toda a restrição de uma época se mostra uma mulher inteligente e forte. Matt Damon mostra-se um cavaleiro forte, líder em batalha, mas com muitos arrependimentos e frustrações, e uma disputa incansável com aquele que ele considerava um amigo. Adam Driver como Jacques Le Gris, é o tipo de pessoa que você não gostaria de ter por perto, ardiloso sempre buscando vantagens e meios de estar em boas posições, e que faz de tudo para conseguir o que deseja. Ben Affleck, quase irreconhecível, interpreta um comandante sem escrúpulos nenhum que vive a vida para seus prazeres e promiscuidades. Harriet Walters, Nicole de Buchard, uma senhora calejada da vida que se importa acima de tudo com o nome da família e Alex Lawther, interpreta um rei sádico, que sente prazer pelo que vê, assustando por muitas vezes até sua mulher.


Cena divisora de águas

Um filme crítico, bem conduzido, com um peso histórico importante, acredito ser o tipo de obra que será sempre bem lembrada por aqueles que a assistiu. Apesar de não ter ganhado toda uma massa, nem uma grande divulgação, para aqueles que assim como eu, foi para o cinema a espera de um filme medieval e por um elenco chamativo, com certeza se impressionou com o que viu e não se arrependeu das três horas de sessão.






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