Video Games | Consoles que você provavelmente não conhece (Parte 1)
Atualizado: 3 de set. de 2019
É comum que um gamer hard core conheça consoles que outras pessoas não conheçam. Mas, mesmo para os mais empenhados, alguns são completamente desconhecidos; ficando apenas na memória de colecionadores — e, às vezes, nem colecionadores conhecem! —, ou dentro de mercados restritos.

Depois de uma senhora pesquisa, foram achados alguns que até este, que vos escreve, um amante de pesquisa e história dos games; não conhecia. E o resultado foi tão bacana, que achei mais jogo dividir o conteúdo e fazer outra lista no futuro.
Pega um refri — ou suco, caso você esteja em Malhação —, uma pipoca e senta aí para uma lista com consoles estranhos.
WonderSwan

Começando com suavidade na lista, talvez este possa ser conhecido por alguns. Mas garanto que a maioria não o conhece. E mesmo que conheça, sabem quem está por trás da criação do WonderSwan? Só Gunpei Yokoi! E quem é este senhor? Somente o criador de dois sucessos da Nintendo: o Game & Watch e Game Boy! Mas... não só de glória viveu Yokoi! Ele também foi a mente por trás do mega fracasso Virtual Boy, também da Nintendo.

E olha que ainda tinha um suporte para por a parada apoiada nos ombros e ficar parecendo um dedetizador! Mas, voltando para o WonderSwan... Após o fracasso do Virtual Boy, Yokoi foi trabalhar para a Bandai e desenvolveu seu novo portátil.
Lançado em 1999, apenas no Japão, o console possuía um hardware um pouco melhor em relação ao Game Boy, mas ainda não era tão mais elevado se comparado com o famoso devorador de pilhas, o Game Gear; porém, ainda ficava à frente do Neo Geo Pocket neste quesito.
E seguindo o costume da antiga empresa em que trabalhava, Yokoi ainda idealizou o WonderSwan Color, com hardware para rivalizar com o Game Boy Advance. Mas o esforço não adiantou muito e o console também foi lançado apenas no Japão; não valendo a pena para a Bandai fazer um esforço para trazê-lo para o ocidente.

Para ser bem sincero, eu só tomei conhecimento da existência dele lá por volta de 2007, quando o anime Naruto estava bombando; e fui olhar quais jogos existiam em um site especializado em tudo relacionado ao anime. E foi assim que conheci este portátil, pois ele possuía um jogo de Naruto.
E não, eu não joguei o game de Naruto dele.
Barcode Battler

Com o mercado de video games crescendo, foi natural que várias empresas de eletrônicos fizessem suas tentativas de tentar abocanhar uma fatia deste mercado. Não foi diferente para a Epoch e seu Barcode Battler, lançado em 1991.
O console possuía cartões com códigos de barra que eram usados para gerar personagens jogáveis, inimigos ou, até mesmo, itens e power ups. Por se tratar de códigos de barra, os jogadores saiam testando códigos de barra de produtos caseiros aleatórios. As lutas eram basicamente baseadas nas estatísticas dos números em tela para definir o vencedor da luta.

As franquias consagradas da Nintendo ajudaram a dar mais uma vida ao console. Cartas licenciadas de Mario e The Legend of Zelda foram produzidas para o console; e até rederam algo nele.
Para um console de nicho, Barcode Battler se saiu bem. Ele foi tão bem, que em 1992 uma nova versão foi lançada, chamada de Barcode Battler II; projetada para fornecer algumas funcionalidades aprimoradas.
Ele apresentava um modo novo de jogar, uma variedade maior de elementos de jogo e uma porta de saída projetada com recursos de interface. Um recurso que a Nintendo aproveitou bem ao licenciar a unidade de interface de código de barras, permitindo que o Barcode Battler fosse anexado aos consoles Famicom e Super Famicom (nomes do NES e Super Nintendo no Japão), através de um adaptador, algo similar ao modo como o Game Boy Player conectava o Game Boy Advance, com o e-Reader, ao Nintendo GameCube. A funcionalidade do Barcode Battler II durante esta conexão era puramente como um leitor de código de barras e a jogabilidade dependia do cartucho de jogo na máquina à qual estava conectado. Ou seja, só valia a pena se o jogo tivesse uma funcionalidade em si, senão era só mais um periférico inútil.


Entre 1992 e 1993, a Epoch lançou o Barcode Battler II em todo o mundo, sob o nome de apenas Barcode Battler. O modelo lançado mundialmente era diferente do modelo japonês apenas no design da tela LCD, que tinha uma interface em inglês em vez de uma em japonês. Ele ainda tinha uma porta de saída, mas nenhum suporte de jogos além dos lançamentos japoneses. Além disso, as artes nos manuais e cartões de código de barras eram diferentes para atender o público ocidental.
Mas ele não emplacou e foi descontinuado. Pois é, nem o uso de franquias famosas deu para salvar o coitado.
Cassette Vision

E vamos continuar a falar da Epoch. Mas vamos voltar no tempo? Sim, para 1981. E, apesar do nome, ele não usava fitas cassetes, mas sim cartuchos.
O Cassette Vision tinha seus gráficos menos refinados que o do Atari 2600; e os controles eram apenas 4 botões (2 para cada jogador, 1 de movimento horizontal e outro de vertical), que ficavam no próprio console.
Embora não tenha sido um sucesso de vendas, ainda teve uma versão menor e mais barata, chamada Cassette Vision Jr.; e um sucessor chamado de Super Cassette Vision. Este último foi lançado em 1984, e foi vendido na Europa, com pouco sucesso — sarcasmo modo ON: eu não esperava por isso, hein!


Vectrex

Sem dúvida, o Vectrex, de 1982, foi uma experiência bizarra da General Consumer Electronics. O console exibia gráficos vetoriais que lembram um daqueles aparelhos hospitalares que ficam monitorando os batimentos cardíacos.

E você acha que as bizarrices param por aí? Para simular cor e mais elementos nos jogos, os jogadores do console deviam colocar uma tela plástica no monitor (algo que alguns já devem lembrar que era feito pelo Magnavox Odyssey, em 1972). Único Ponto positivo eram os controles, que utilizavam analógicos, dando assim os primeiros passos dos comandos analógicos que são utilizado atualmente.
Sim, podemos dizer que este foi o primeiro console da história a usar direcional analógico. Mas com a tecnologia limitada da época, ele nem servia para muita coisa; voltando a ser útil apenas muito mais à frente, nos consoles da 5ª geração, precisamente falando do Nintendo 64 e Playstation.
Atari Jaguar

Ok, este deve ser um dos mais conhecidos desta lista. Porém, ao mesmo tempo, um dos menos jogados. Já vi gamer hard core falando dele, mas nunca vi um ao vivo.
Lançado em 1993, o Atari Jaguar, da nossa conhecida Atari, tinha um hardware bem decente para a época. Mas vendeu menos de 250 mil unidades, tendo como seu jogo best-seller Alien vs Predator.
Desenvolvedores reclamavam de falta de suporte e alguns bugs em seu hardware dificultavam a programação dos jogos. E com a chegada dos seus rivais, Playstation e Nintendo 64, o coitado do Jaguar não teve mais gás para continuar.
A Atari ainda tentou, lançando em 1995 um periférico, o Jaguar CD; que era conectado no lugar da entrada de cartucho e permitia que o console lesse CDs como mídia de armazenamento dos jogos e mantinha uma entrada para cartuchos na parte de trás, para não ser necessário a remoção do periférico ao usar cartuchos.

Mas a história está aí para provar que a maioria desses periféricos não é exatamente a melhor ideia do mundo — o Mega Drive mandou um abraço! —; e o trambolho vendeu um pouco menos de 20 mil unidades. Ou seja, um número bem menor do que sua base instalada.

XaviXPORT

Lançado em 2004, pela japonesa SSD COMPANY LIMITED, o XaviXPORT já tinha cara de que iria dar errado quando decidiram por o processador nos cartuchos; barateando o console, mas encarecendo os jogos. Ele também foi lançado em continente norte-americano!
Mas talvez alguém ainda tenha depositado alguma fé nele, pois 8 dos engenheiros que desenvolveram este console trabalharam na Nintendo durante o desenvolvimento do NES. Inclusive, usava em seus cartuchos o mesmo processador que o Super Nintendo usava, que já era algo obsoleto e barato em 2004.
Para a surpresa de todos, ele só foi oficialmente descontinuado em 2017! Sim, durante o auge da atual 8ª geração de consoles. E, mesmo com tanto tempo de estrada, ele é completamente desconhecido e sem jogos de relevância para serem citados aqui.
PV-1000

Outro console que já começou errado. Numa época em que novas tecnologias faziam muita diferença, lançado em 1983, no Japão; o PV-1000 utilizava um hardware da geração anterior, mas veio para o mercado querendo competir com o NES e o SG-1000 (o antecessor do Master System).
Com incríveis 2KB de memória RAM, seu jogo mais memorável foi um clone de Pac-Man, chamado de Amidar. Além disso, foi descontinuado no mesmo ano em que lançou.
Acho que era melhor a Casio tem investido mais nas agendas eletrônicas e nos relógios digitais.

Super A'Can

E fechado essa lista, acredito que posso arriscar dizer que o Super A'Can, da Funtech, e exclusivo de Taiwan; é o console menos conhecido desta lista. Vamos para os detalhes da criança lançada em 1995.
No início dos anos 90, o mercado taiwanês de videogames estava em expansão. Super Nintendo, Mega Drive e PC estavam ganhando muito dinheiro; e não havia sinal de desaceleração. Então, a Funtech Entertainment Corporation, uma empresa de Taiwan, decidiu lançar seu próprio console na esperança de conquistar o mercado local.
Se analisarmos direitinho, podemos notar semelhanças de design numa mistura de Super Nitendo e Mega Drive; justamente os dois consoles que ele pretendia superar. Com o hardware de seus rivais mostrando já alguns sinais de fraqueza pelo decorrer do tempo, não foi difícil para a Funtech fazer um hardware mais parrudo para o Super A'Can. O problema foi ela depender de desenvolvedores locais de jogos — que é o que de fato consegue vender um console.

Com uma arquitetura de programação complexa para desenvolvedores locais de jogos, o lançamento inicial previsto foi adiado para 25 de outubro de 1995, quando a geração dos 32/64-bits já estava começando. E assim, a Funtech foi forçada a planejar algo que compensasse isso. Seguindo algo similar ao Sega 32x, a empresa lançou periférico que processava informações em 32-bits.

Mas a história dos video games está aí, para mostrar que os periféricos deste tipo não são exatamente uma boa ideia. E assim, temos mais uma falha miserável.
No final, a Funtech destruiu todos os equipamentos desenvolvidos e produzidos; e vendeu tudo como peças de no mercado norte-americano. E, como um ninja, ele apareceu e sumiu do mercado de video games!
E aí, gostaram? Se liguem que qualquer dia desses, num futuro não tão distante, vai rolar uma parte 2 desta lista. Então, digam aí quais desses vocês conheciam e se já viram algum de perto. Desta lista, eu nunca vi um deles de perto!
Até próximo texto!

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