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Verity | Crítica sem spoilers

há 3 horas
4 min de leitura

Devo começar dizendo que esta crítica se baseia apenas no filme. Não tive a oportunidade de conhecer a história do livro, portanto, esta é a impressão de alguém que não sabia nada sobre a trama antes de assistir. Ainda assim, lembro do hype em torno do lançamento da obra e de como o livro dividiu opiniões na época, principalmente por causa de seu polêmico final.


Arte promocional
Arte promocional

Verity trata-se de mais uma adaptação cinematográfica de uma obra de Colleen Hoover. Depois de alcançar grande sucesso, a escritora vem ganhando espaço nas telonas, levando seus leitores (e também novos espectadores) aos cinemas. Foi o que aconteceu com o polêmico É Assim que Acaba, enquanto outras de suas obras também chegaram aos streamings, como Uma Segunda Chance.



Mas, voltando à premissa, Verity acompanha a escritora Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), que está à beira da ruína financeira quando uma oportunidade irrecusável surge: trabalhar como ghostwriter da renomada autora Verity Crawford (Anne Hathaway). A convite do marido de Verity, Jeremy Crawford (Josh Hartnett), Lowen se muda temporariamente para a casa do casal com o objetivo de estudar e mergulhar mais profundamente nas ideias, anotações e na mente da escritora. Contudo, Ashleigh acaba descobrindo que nem tudo é o que parece quando encontra um manuscrito escondido, cujas páginas revelam acontecimentos perturbadores sobre o passado da família.



O filme consegue apresentar bem os mistérios e dramas vividos pelos personagens. Inicialmente, somos apresentados a Verity Crawford (Anne Hathaway), uma autora extremamente bem-sucedida, que consegue transmitir muito bem o ar de mistério presente em seus livros. Algumas entrevistas ajudam a construir a imagem de uma mulher segura de si, bem-sucedida e extremamente confiante.


Em seguida, conhecemos Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), que está no extremo oposto dessa realidade. Sua vida parece estar indo de ladeira abaixo, marcada por tragédias pessoais e por uma carreira que possui certo reconhecimento, mas ainda não é suficiente para lhe garantir estabilidade. Sua trajetória muda completamente quando, em meio a uma tragédia, ela cruza o caminho de alguém que acaba se tornando o grande ponto de virada de sua vida.



O filme conta com um elenco grandioso e atuações à altura de sua proposta. Anne Hathaway, embora apareça em momentos mais específicos e pontuais, se destaca sempre que surge em cena. Ela consegue transitar muito bem entre os diferentes estados emocionais da personagem e é uma das principais responsáveis por fazer o espectador questionar o que está vendo. Em vários momentos, fica a dúvida sobre até que ponto Verity está sendo verdadeira.



Dakota Johnson também transmite muito bem a transformação de Lowen, que inicialmente parece até um pouco ingênua, mas aos poucos revela um lado mais frio e ardiloso, responsável por algumas das cenas mais marcantes da produção.



Josh Hartnett apresenta bem a figura do marido aparentemente perfeito, mas, em nenhum momento, aquela imagem de “bom moço” me fez acreditar completamente naquilo que estava sendo apresentado. Talvez justamente por isso seu personagem não tenha funcionado tão bem para mim.


Um destaque especial, porém, foi o pequeno Brady Wagner, que interpreta o filho da autora. Ele consegue ser fofo e assustador ao mesmo tempo. Em todos os momentos em que aparece, acaba roubando a cena, seja pela fofura ou por aquele olhar que sempre parece esconder alguma coisa.



De forma geral, o enredo consegue brincar muito bem com as peças que apresenta, fazendo com que o espectador teorize constantemente sobre qual caminho é realmente verdadeiro e qual seria o propósito por trás de tudo aquilo. O roteiro constrói o mistério de maneira a fazer você questionar praticamente todos os passos dos personagens, criando uma tensão que se mantém até o final e conduz a um desfecho ainda mais enigmático.



A fotografia do filme também merece destaque. Os ambientes internos e externos são muito bem aproveitados, especialmente a casa luxuosa à beira do lago, que por si só já transmite uma sensação de mistério. Existe um contraste interessante entre todo aquele luxo e a presença de alguém que, inicialmente, não pertence àquele universo, mas que aos poucos passa a se encaixar naquele cenário com facilidade. Isso faz com que o espaço ganhe uma importância maior dentro da narrativa. A trilha sonora também é bem aplicada e contribui para a atmosfera da produção.



Apesar de todos esses pontos positivos, ainda acredito que o filme apresenta alguns elementos bastante clichês, algo que, imagino, faça parte da própria construção da história; Alguns pontos permanecem excessivamente abertos, enquanto determinadas conversas e vínculos entre os personagens parecem acontecer de maneira um pouco apressada. Em alguns momentos, certas viradas acabam sendo previsíveis, principalmente quando o filme começa a preparar o espectador para determinadas revelações.



De forma geral, gostei bastante do filme. Também entendo todo o movimento em torno da escolha de Dakota Johnson e Anne Hathaway para os papéis principais. Sei que o motivo principal para o interesse do público nas duas é outro, mas, independentemente disso, elas ficam incríveis juntas em cena.


No fim, para aqueles que gostam de um terror misterioso ou de uma história de mistério misturada a drama, acredito que Verity pode agradar, assim como me agradou. E, depois de tudo o que o filme apresenta, só tenho uma coisa a dizer: nesta história, não existem mocinhos e vilões.




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