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Roman Polanski | Diretor entra na justiça com pedido de reintegração à Academia

22 de ago. de 2019
2 min de leitura

O diretor, Roman Polanski, não acredita que obterá tratamento justo em um tribunal de Los Angeles e pediu para desqualificar o Tribunal Superior de LA no seu processo contra a AMPAS (Academy of Motion Picture Arts and Sciences), também conhecida, simplesmente, como The Academy (A Academia). Em vez disso, ele solicitou que o caso contra a decisão da Academia de expulsá-lo seja atribuído a um juiz de fora do condado de Los Angeles.


Em seu último processo, Polanski busca a reintegração na Academia, porque, ele afirma, a decisão de expulsá-lo foi tomada sem o devido processo, baseado em uma antiga condenação e um status de fugitivo legal sob a lei da Califórnia.


Roman Polanski.

Para que seja possível entender tudo melhor, segue um resumo do caso que o expulsou da Academia:


Em março de 1977, o diretor foi indiciado em Los Angeles por cinco crimes contra Samantha Geimer, uma menina de 13 anos. Os crimes foram: estupro com uso de drogas, perversão, sodomia, atos libidinosos com uma adolescente com menos de 14 anos e por fornecer drogas controladas a uma menor de idade.


Em sua defesa, Polanski se declarou inocente para todas as acusações. Porém, mais tarde, aceitou uma acordo judicial, cujos termos incluíam a absolvição pelos crimes mais pesados, mas declarando uma confissão de culpa pela acusação menor, a de praticar ato sexual com pessoa menor de 14 anos.


A corte submeteu Polanski a uma avaliação psiquiátrica e o relatório recomendou liberdade vigiada. No entanto, o diretor foi para a França em fevereiro de 1978, apenas algumas horas antes de ser sentenciado. Desde então, Polanski tem vivido na França e evitado visitar países que provavelmente o deportariam aos Estados Unidos.


Samantha Geimer, hoje; e Polanski.

Voltando para o processo...


O pedido incomum foi feito na segunda-feira. Nele, os advogados de Polanski afirmam que a trajetória do litígio, ao decorrer do tempo, demonstra que qualquer julgamento desse tribunal não teria a devida imparcialidade. O pedido também menciona que, segundo Polanski, vários juízes de Los Angeles agiram de forma desonesta, ou lhe negaram o devido processo. O documento do pedido contém alegações de autoridades dos tribunais na Polônia e Suíça, onde Polanski tem residido, que concordam com os diretor e seus argumentos. Uma coisa que vale a pena ser mencionada: em 2017, Samantha Geimer, a vítima do diretor, declarou publicamente que o perdoa.


A fachada do prédio onde A Academia funciona.

O documento, enviado pelos advogados de Polanski, inclui uma foto do juiz polonês Dariusz Mazur — o mesmo juiz que negou um pedido dos Estados Unidos para extraditar Polanski em 2015 — como um exemplo de justiça. Seu retrato é legendado com uma citação:


"O sistema de justiça em Los Angeles, possivelmente, temendo excessiva crítica da mídia e influenciado pela tentativa equivocada de proteger seu bom nome, perdeu a capacidade de auto-corrigir seus próprios erros do passado."

No início deste ano, A Academia afirmou que acha justa a decisão de expulsar Roman Polanski. Pelos próximos meses devem surgir novas informações sobre o caso.


Por: Marcelo Neves


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