Pânico 7 | Crítica sem Spoilers
- 27 de fev.
- 3 min de leitura

Como admirador do terror em todas as suas vertentes, do slasher ao sobrenatural, do found footage ao horror cósmico, dificilmente um filme do gênero passa despercebido por mim. O terror, em suas múltiplas formas, sempre me interessa. Mas Pânico ocupa um espaço particular dentro desse universo. Desde o primeiro filme, a franquia construiu sua identidade ao brincar com as próprias regras do gênero, desmontando clichês enquanto os executava com precisão cirúrgica. A metalinguagem nunca foi um detalhe decorativo, sempre foi a espinha dorsal da narrativa. O filme ria das convenções enquanto as utilizava a seu favor, e era justamente essa consciência que o tornava especial dentro do slasher tradicional.

Por isso fui assistir a Pânico 7 com uma expectativa bastante clara. Eu não buscava uma revolução completa, mas ao menos um capítulo que entendesse o peso do legado que carrega. Sabia que encontraria elementos familiares. A dúvida era se essa familiaridade seria trabalhada com inteligência ou apenas reproduzida.
Dirigido por Kevin Williamson, criador da franquia, e escrito em parceria com Guy Busick, o longa marca o retorno de Neve Campbell como Sidney Prescott. Sua presença ainda impõe respeito. Campbell mantém a força e a maturidade da final girl original.

A estrutura segue o modelo já consolidado. A abertura investe novamente na ideia de falso protagonismo, criando a ilusão de que estamos acompanhando uma nova figura central, apenas para subverter essa expectativa nos minutos iniciais. É um recurso clássico da franquia e, aqui, funciona dentro do esperado. Em seguida, os assassinatos reorganizam o tabuleiro, novos personagens são apresentados como suspeitos e potenciais vítimas, e o tradicional jogo de desconfiança toma forma.
O elenco é composto majoritariamente por rostos já associados ao gênero. Mckenna Grace é praticamente uma figurinha carimbada do terror contemporâneo, e sua presença já carrega uma expectativa automática. Ethan Embry, que interpreta Marco, também traz no currículo uma trajetória ligada a produções do gênero. Essa familiaridade reforça o clima, mas ao mesmo tempo contribui para a previsibilidade, porque o espectador acostumado a esse universo começa a montar o quebra-cabeça cedo demais.

Há ainda participações que chamam atenção por virem de outro tipo de dramaturgia. Isabel May e Anna Camp, ambas associadas ao universo de Taylor Sheridan em séries como 1923 e Landman, surgem como presenças curiosas dentro da mitologia de Pânico. E há também a surpresa de encontrar Joel McHale (Community) interpretando o marido de Sidney, uma escolha que causa estranhamento inicial, mas que funciona dentro da proposta do filme.

O problema é que, justamente por já conhecermos boa parte desses atores e pelo modo como o roteiro distribui suas pistas, o mistério perde força cedo. Antes mesmo da metade do filme, o desfecho já se apresentava diante de nossos olhos. A tradicional brincadeira de adivinhar quem está por trás da máscara, que sempre foi um dos pontos fortes da franquia, aqui se transforma em um exercício previsível.
As mortes são eficientes e, até mais brutais e criativas. Há violência e há impacto visual. Mas falta algo mais fundamental, a sensação de risco real. O filme raramente nos faz acreditar que tudo pode ruir. A ameaça existe fisicamente, mas não emocionalmente.

Quando chegamos ao terceiro ato, é ali que o filme desaba de vez. Em Pânico, a revelação nunca foi apenas sobre descobrir quem veste a máscara. Sempre houve uma construção psicológica, um histórico que conectava vítimas e assassinos de maneira quase inevitável. Traumas, rivalidades e obsessões davam sentido à perseguição, e quando a identidade era revelada, toda a narrativa se reorganizava.
Aqui, essa engrenagem falha. A revelação final falta impacto dramático e de ligação emocional consistente. Não há uma conexão forte que justifique o nível de violência ou que reconfigure os acontecimentos sob uma nova perspectiva. A máscara cai, mas a história não ganha nova dimensão, e essa ausência de densidade transforma o clímax no momento mais frágil do filme.

Pânico 7 não é um desastre. Ele entretém e cumpre sua função dentro do gênero. Não chega perto do trem descarrilhado que foi Pânico 3, lançado em 2000. Ainda assim, este novo filme pode ser considerado um dos deslizes mais recentes da saga. Não compromete todo o legado, mas também não o fortalece.
A faca continua presente, mas desta vez o corte não é profundo.


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