Novo Resident Evil finalmente abraça o terror, mas peca em vários aspectos

"Welcome to Raccoon City volta às raízes do jogo, mas não é tão assustador quanto deveria ser..." por Thales Hill





Os gamers e superfãs da franquia Resident Evil (Sou um deles), têm toda justificativa do mundo para sentirem alguma apreensão, ou ficarem com o pé atrás com o novo reboot Resident Evil: Welcome to Raccoon City. Os filmes anteriores de Resident Evil, apesar das críticas negativas, acabaram tendo tanto sucesso de bilheteria como um grande caça-níquel, que renderam 15 anos nas telonas e seis longas-metragens, sempre com Milla Jovovich na liderança, e seu marido Paul W.S. Anderson dirigindo, escrevendo ou ambos.


Na ocasião, Milla Jovovich interpretou Alice, uma personagem inventada para os filmes, enquanto personagens derivados do jogo entravam e saíam da narrativa de Alice como meros coadjuvantes, de forma bem aleatória. O enredo havia saído totalmente dos trilhos e do cânone do jogo, fugiu totalmente do gênero Terror (O que foi um grave erro), e tivemos apenas um filme de "Ação" com uma protagonista que luta kung-fu com cachorros zumbis e que explode o céu com poderes de telecinese, e isto incomodou bastante os fãs mais fervorosos da franquia.



Leon S Kennedy e Claire Redfield no novo Reboot.


Já em RE: Bem Vindo a Raccoon City, temos que dar a césar o que é de césar! O reboot nos leva de volta Raccoon City de uma forma bem mais fiel ao game, focando em Claire Redfield (Kaya Scodelario) e seu irmão mais velho Chris Redfield (Robbie Arnell), sim, este é o primeiro ponto, o roteiro foca nos irmãos como protagonistas, deixando Leon S. Kennedy (Avan Jogia) que é considerado por muitos como o principal protagonista da franquia, como um mero coadjuvante inútil e pastelão, destoando bastante a narrativa do filme.


Embora o filme apresente alguns flashbacks explicando um pouco da história dos irmãos Redfield no orfanato de Raccoon City, a história central de fato começa com os irmãos já adultos e separados. A pedido de um teórico da conspiração local, que insiste em dizer que a gigante farmacêutica Umbrella, realizou experimentos nefastos com a população de Raccoon City, fazendo com que Claire retorne para sua cidade natal atrás de seu irmão, afim de desvendar este mistério.


Alfa Team na Mansão Spencer

A história nós já conhecemos, e até certo ponto o roteiro acerta! Adaptando bem a história do game. Uma doença aflinge os poucos residentes restantes de Raccoon City, e tal como acontece nos jogos, a área foi infectada por um vírus que transforma as pessoas em mortos-vivos. Até aí tudo bem, até mesmo os filmes de Paul W. Anderson tinham esse plot. Mas a grande diferença aqui, é que nos filmes anteriores de Resident Evil, tínhamos uma pegada mais ação/ficção-científica, com clones disparando armas automáticas contra várias mutações de mortos-vivos. Já aqui neste reboot, o diretor Johannes Roberts acerta no tom, e traz finalmente o longa pro gênero Terror, com cenas de jump scare muito bem colocadas (assim como temos no game) fazendo você pular da poltrona em vários momentos, ao mesmo tempo em que trabalha elementos gore e de suspense em cenas bem fiéis ao jogo, como a sobrevivência de Chris na Mansão Spencer.


Ih! Deu ruim!


A ambientação também está excelente! O diretor faz a gente se sentir em Raccoon City de verdade! A Mansão Spencer, a cidade de Raccoon e até a delegacia (R.P.D) parece que saíram do jogo diretamente pro cinema, dá pra notar o cuidado da direção com os cenários! Até aqui tudo ótimo!s


Contudo, nem tudo são flores meus caros. O roteiro peca em diversos pontos, como por exemplo transformar um dos principais personagens da franquia em um coadjuvante irresponsável, que não sabe nem destravar uma arma, e que de quebra solta piadinhas sem pé nem cabeça em momentos que não cabem na narrativa, cortando o clima de terror em segundos após uma piadoca sem graça. Leon foi realmente esquecido neste filme, o protagonismo fica por conta dos irmãos Redfield, e vale salientar que Jill Valentine (Hannah John-Kamen), que é tão protagonista quanto Leon nos games, também é deixada de lado aqui, servindo apenas para ser o interesse amoroso de Wesker, além de uma mera coadjuvante que brinca de tiro ao alvo até em uma missão importante, foi realmente péssimo ver nossa querida Jill dessa forma!



A fidelidade com os cenários do game é um dos pontos positivos do longa.

O filme tenta amarrar a história dos dois primeiros games em suas quase duas horas de duração, é até interessante ver a tentativa do diretor de contar a história do resgate do Alfa Team na Mansão Spencer enquanto ao mesmo tempo a cidade de Raccoon começa a cair pelas mãos dos zumbis. Porém, essa pressa em mostrar dois desfechos em um único filme, estraga a possibilidade de uma história mais bem amarrada e elaborada. Além do mais, seria muito melhor se o diretor tivesse contado a história de um dos games primeiro, o que poderia ser na mansão, e em seguida em um segundo filme trazer a segunda parte da história. Isto realmente tornou o roteiro apressado e preguiçoso em diversos pontos, deixando várias lacunas.


Na parte técnica, temos uma falha grave aqui, o filme é muito escuro, fazendo com que você nem entenda direito certas cenas por falta de iluminação, realmente não entendi a ideia do diretor aqui. Por outro lado a trilha sonora está ótima, causando tensão em todos os momentos do filme, dos mais quietos aos mais explosivos!


Com relação ao fan-service? Sim! Nós temos aqui, e muitos! Quem jogou o game, realmente vai se deparar com um turbilhão de fan-service. Desde falas que lembram alguns Boss do primeiro e segundo jogo da franquia, como enigmas para abrir portas e até objetos que remetem diretamente aos mesmos vistos nos games! Tá tudo lá! E apesar do esforço da direção, essa pilha de fan-service não sustenta o roteiro, realmente uma pena! Isso explica a baixa aprovação dos críticos e do público, que está pegando mais no pé da descaracterização dos personagens Leon e Jill. E eu realmente entendo o alarme dos fãs, pois também sou um e esperava muito deste longa, mas ainda não foi dessa vez. O baixo orçamento, claramente já pode ser visto desde o trailer, mas ainda assim não é desculpa para o resultado final do longa, já tivemos outros exemplos de filmes com baixíssimo orçamento que fizeram sucesso. Realmente uma pena.





Resident Evil: Bem vindo a Raccoon City, traz a essência do game para o cinema, muito terror, bastante fan-service, e chega até a ser divertido, legalzinho e Ok! Nem mais, nem menos. Mas falha absurdamente com seus personagens principais, em um roteiro preguiçoso e apressado, tornando a adaptação e mais um filme B de terror. Teve bastante potencial, porém foi muito desperdiçado em um roteiro que parece um queijo suíço, infelizmente.




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