Mulan | CFO da Disney, Christine McCarthy, admite que a filmar em Xinjiang "gerou muitos problemas"
A diretora financeira da Disney, Christine McCarthy, reconheceu nesta última quinta-feira que a escolha da empresa que filmou partes de Mulan na região de Xinjiang na China "gerou muitos problemas para nós".

A corporação foi criticada por filmar partes do épico em live-action na região noroeste, onde cerca de um milhão de membros da minoria étnica muçulmana foram colocados contra a sua vontade em campos de internamento como parte de um esforço para assimilá-los à força com a maioria da população. Alguns foram submetidos a esterilizações e abortos forçados, mostram relatórios recentes, com ex-detentos descrevendo tortura e tratamento desumano.
Em seus créditos, o filme dá “um agradecimento especial” a oito diferentes órgãos do governo chinês em Xinjiang, vários dos quais, como o Turpan Bureau of Public Security, estão diretamente envolvidos na campanha que os críticos consideram um genocídio cultural.
Muito de Mulan foi filmado na Nova Zelândia, mas as equipes também filmaram em 20 locações na China para mostrar "algumas das paisagens únicas" de lá, disse McCarthy em uma conferência do Bank of America, de acordo com o Bloomberg News. Ela explicou que isso era parte de "um esforço para retratar com precisão algumas das paisagens e geografia únicas do país para este filme de período histórico".

McCarthy disse que filmar na China requer aprovações do governo e "é comum reconhecer nos créditos de um filme os governos nacional e local que permitiram que você filmasse lá". Em um aceno tácito à polêmica de fazê-lo, ela disse: “Isso gerou muita publicidade. Vamos deixar isso assim".
O filme com orçamento de US$ 200 milhões dirigido pela neozelandesa Niki Caro estreou na semana passada no Disney+ e será lançado nesta sexta-feira na China.
Mas as autoridades chinesas proibiram os principais meios de comunicação de escrever sobre Mulan, a fim de evitar direcionar a atenção para as críticas crescentes no exterior às ligações do filme da Disney com Xinjiang.

Políticos dos EUA condenaram a decisão da Disney de filmar em Xinjiang, com Josh Hawley, do Missouri, enviando uma carta contundente ao CEO da Disney, Bob Chapek, por "encobrir o genocídio em curso" lá.
McCarthy não especulou se a empresa estava preocupada que a condenação internacional fosse ruim para os negócios, dizendo:
“Não sou uma profeta de bilheteria.”
Fonte: Variety.

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