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Mortal Kombat II | Crítica com Spoilers

  • 8 de mai.
  • 5 min de leitura

FINISH HIM! Mortal Kombat II finalmente entende os fãs!


A franquia Mortal Kombat possui uma das histórias mais ricas em adaptações cinematográficas de toda a indústria dos videogames. Após a excelente adaptação de 1995, veio o universalmente criticado Mortal Kombat: Annihilation, em 1997, antes de dar lugar à série de filmes animados da saga Legends, de qualidade razoável a boa, lançados entre 2020 e 2023. Em 2021, recebemos Mortal Kombat, uma abordagem moderna da narrativa no universo MK. Embora eu tenha gostado do filme no geral, ele foi amplamente criticado pela falta de uma estrutura de torneio e pela ênfase excessiva em Cole Young, um personagem original criado especificamente para o longa, além de sua família. Mortal Kombat II corrige essas duas principais críticas, entregando um produto mais sólido. No entanto, uma narrativa superficial e um ritmo irregular impedem que o filme alcance todo o seu potencial.


Assim como seu antecessor, Mortal Kombat II começa com uma cena de flashback, apresentando uma versão resumida da história de origem de um dos personagens mais icônicos da franquia. No primeiro filme, tivemos a origem de Scorpion; desta vez, vemos como o Reino de Edenia, de Kitana, foi conquistado por Shao Kahn e como ela se tornou sua filha adotiva. E assim como em Mortal Kombat (2021), essa é uma forma eficaz de abrir o filme. Contudo, diferentemente da introdução do longa anterior, a personagem dessa sequência inicial desempenha um papel substancial ao longo da trama.


Mortal Kombat II traz o torneio, os Fatalities e a loucura que faltava
Mortal Kombat II traz o torneio, os Fatalities e a loucura que faltava

Mortal Kombat II apresenta um elenco muito maior, trazendo diversos personagens icônicos da franquia para se juntar aos veteranos do primeiro filme. Embora tenha sido ótimo rever Sonya, Raiden e Liu Kang, agora com visuais melhores do que os apresentados anteriormente, eu particularmente gostei muito da adição de Kitana e Johnny Cage. Adeline Rudolph e Karl Urban fazem um trabalho fantástico ao incorporar fielmente esses personagens. Adeline retrata perfeitamente a princesa conflituosa, porém mortal, de Outworld, enquanto Urban interpreta com precisão uma versão mais velha de Johnny Cage: um ator decadente e completamente deslocado da realidade ao seu redor.


Cage e Kano são alguns dos maiores destaques do filme, frequentemente servindo como alívio cômico. Na maior parte do tempo suas piadas funcionam, inclusive fazendo diversas referências a outros filmes da cultura pop em geral, e como geralmente estão cercados por personagens extremamente sérios em circunstâncias terríveis, seus diálogos cômicos aliviam perfeitamente a tensão ou interagem de maneira divertida com o absurdo que acontece na tela. Enquanto Cole, no primeiro filme, deveria ser o personagem com quem o público se identificaria, Kano e Johnny Cage cumprem melhor essa função, muitas vezes atuando como aquela voz irritante porém divertida que fica comentando os eventos absurdos diante do espectador.


Adeline Rudolph traz a Kitanna que a gente sempre quis ver nas telonas!
Adeline Rudolph traz a Kitanna que a gente sempre quis ver nas telonas!

Falando em Cole, parece que os roteiristas ouviram as reclamações sobre a inclusão excessiva do personagem, e ele acabou relegado a um papel secundário. Isso abre espaço para que outros personagens brilhem: Johnny Cage e Kitana se alternam como protagonistas, o que representa uma grande melhoria. Enquanto isso, Liu Kang assume um papel muito mais relevante e finalmente demonstra a importância que deveria ter desde o início. Scorpion e Bi-Han (anteriormente Sub-Zero) também retornam, mas suas participações parecem desnecessárias. Além de proporcionarem uma cena de luta divertida, suas inclusões soam gratuitas e surgem praticamente do nada. Depois de Mortal Kombat (2021), estou começando a me perguntar se os cineastas simplesmente não conseguem tornar Scorpion interessante ao longo de um longa-metragem ou se apenas não querem pagar para manter Hiroyuki Sanada em cena por mais tempo.


Por outro lado, Shao Kahn é uma presença intimidadora ao longo do filme, funcionando como uma força quase imparável que comanda figuras como Shang Tsung, Quan Chi, Jade e Kitana. Infelizmente, ele sofre do problema oposto ao de Scorpion e Bi-Han: aparece tanto que suas entradas acabam perdendo impacto. Ainda assim, gostei bastante da dinâmica entre ele e Kitana, além da constante sensação de que Shang Tsung está sempre tramando algo nas sombras. Mesmo assim, um pouco mais de mistério teria sido bem-vindo.


Kung Lao (Corrompido) vs Liu Kang - A melhor cena de luta do filme!
Kung Lao (Corrompido) vs Liu Kang - A melhor cena de luta do filme!

Embora ainda exista o momento “Finish Him”, os diálogos exageradamente forçados e repletos de referências foram, felizmente, bastante reduzidos. Ainda assim, não espere uma narrativa excepcional. O enredo de Mortal Kombat II funciona apenas como um artifício para reunir os personagens em combate e o filme sequer tenta esconder isso. Até mesmo o início, envolvendo o recrutamento de Johnny Cage, parece apressado. Entendo que os fãs estejam ansiosos para chegar logo à parte do Kombat, mas essa pressa estabelece um ritmo extremamente irregular logo de cara, algo do qual o filme nunca se recupera totalmente.


Felizmente, a narrativa esquecível é sustentada pelo retorno do formato de torneio e pelas lutas consistentemente bem coreografadas e impressionantes. Quase todos os personagens têm a oportunidade de brilhar durante o torneio ou em confrontos paralelos, e os Fatalities frequentemente arrancavam aplausos ou risadas nervosas da plateia durante a sessão em que assisti ao filme. A única exceção é Raiden, que continua parecendo extremamente subutilizado, e isto incomoda bastante pois o deus do trovão protetor do plano terreno é um dos principais personagens da franquia.


Olha esse Shao Kahn! Imponente, apelão e casca grossa. Como deve ser!
Olha esse Shao Kahn! Imponente, apelão e casca grossa. Como deve ser!

Aparentemente aprendendo com alguns dos erros mais discretos do primeiro filme que ambientava suas lutas em cenários como um estacionamento de trailers, um bairro residencial e um octógono de MMA, Mortal Kombat II posiciona seus confrontos em locais clássicos já conhecidos pelos fãs dos primeiros jogos da franquia. Locais como: Reino de Edênia, Dead Pool (a piscina da morte com o poço de ácido), The Pit (a ponte com espinhos), Netherrealm (O reino do submundo), Tarkatan War Kamp (Acampamento Tarkatâneo), entre outros. Mas ver essas batalhas acontecendo de forma semelhante aos games foi um verdadeiro deleite para os fãs do game, e eu me incluo nessa, já que jogo Mortal Kombat desde o primeiro título. O único problema é a inconsistência visual desses ambientes. Para cada cenário impressionante, existe outro que parece claramente depender de tela verde, às vezes dando a sensação de que os atores sequer estavam no mesmo ambiente durante as filmagens.


Get Over Here!
Get Over Here!

Por fim, independentemente dessas críticas, Mortal Kombat II representa um avanço significativo em relação ao primeiro filme em praticamente todos os aspectos. Ao abraçar mais fortemente o material de origem, o filme proporciona uma experiência muito mais fiel ao universo de Mortal Kombat, sem tentar conectá-lo excessivamente ao nosso mundo. O retorno do formato de torneio compensa boa parte da confusão narrativa e, ao se preocupar menos em tornar tudo acessível para espectadores casuais, Mortal Kombat II entrega um excelente "segundo round".





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1 comentário


jennysilva3.2.3.12
24 de mai.

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