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Moana | Crítica sem Spoilers

  • 15 de jul.
  • 4 min de leitura

Poucos estúdios conseguem despertar tanta nostalgia quanto a Disney. Ao longo de décadas, suas histórias marcaram gerações, transformando animações em verdadeiros clássicos que permanecem vivos na memória do público. Entre eles está Moana: Um Mar de Aventuras, lançado em 2016, que conquistou espectadores ao apresentar a emocionante jornada de uma jovem polinésia destinada a salvar seu povo enquanto descobre sua verdadeira identidade e sua profunda conexão com o oceano.


Quase dez anos depois, a Disney convida o público a embarcar novamente nessa aventura com o aguardado live-action, que estreiou oficialmente na última quinta-feira (09/07/2026).



Ao produzir um novo live action, a Disney inevitavelmente se depara com um desafio que acompanha praticamente todas as suas adaptações: atender às expectativas de um público dividido. Há quem espere mudanças significativas na história para justificar uma nova versão, enquanto outros defendem que a essência da animação seja preservada ao máximo. Curiosamente, essa dualidade faz com que o estúdio seja criticado em ambos os cenários. Quando decidem inovar, as críticas costumam apontar um suposto desrespeito ao material de origem; quando optam por preservar a narrativa, surgem questionamentos sobre a falta de novidades.


Moana acaba ocupando justamente esse delicado equilíbrio. O filme escolhe honrar a essência da animação de 2016, mantendo seus principais acontecimentos, personagens e mensagens, e essa decisão, embora possa parecer conservadora para alguns espectadores, reforça o propósito da adaptação: permitir que uma história já consagrada seja vivenciada sob uma nova perspectiva, agora com atores reais e uma abordagem visual diferente, sem perder a identidade que a tornou tão marcante. Afinal, foi essa combinação entre aventura, emoção, cultura e carisma que transformou a animação em um dos títulos mais queridos da Disney nos últimos anos.



Dirigido por Thomas Kail, o longa reúne um elenco que respeita e entrega uma boa atuação em cada cena. A protagonista Moana é interpretada por Catherine Laga'aia, enquanto Dwayne Johnson retorna ao papel de Maui, personagem que também dublou na animação original. O elenco ainda conta com John Tui como o Chefe Tui, Frankie Adams como Sina, mãe de Moana, e Rena Owen no papel da sábia avó Tala, figuras fundamentais para o desenvolvimento emocional da protagonista.


Entre as atuações, Catherine Laga'aia se destaca como um dos maiores acertos da produção. Em vez de reproduzir a interpretação de Auliʻi Cravalho na animação, a atriz imprime sua própria identidade à personagem, equilibrando autenticidade, carisma e emoção. Mesmo sendo um dos seus primeiros grandes papéis no cinema, a atriz demonstra segurança em cena e conquista o público tanto nos momentos de maior vulnerabilidade quanto nas sequências de aventura. Sua performance vocal também merece elogios, preservando a força emocional das canções clássicas enquanto apresenta uma interpretação própria.


Com longos cachos definidos, Dwayne Johnson parece ter nascido para interpretar Maui, ter outro ator escalado para o papel não faria sentido. Depois de dublar Maui na animação de 2016, o ator incorpora o semideus com naturalidade, preservando o humor, a autoconfiança e o carisma que fizeram do personagem um dos favoritos do público. Sua presença em cena é marcante e, mesmo nos momentos mais divertidos, Johnson consegue transmitir o lado mais humano de Maui, mostrando sua evolução ao longo da história. Ao lado de Catherine Laga'aia, a química entre os dois funciona muito bem e faz com que a amizade construída durante a jornada seja um dos pontos mais cativantes do filme.



Contudo, nem tudo funciona com naturalidade. Um dos pontos que pode causar certa estranheza inicial é o visual de Maui, especialmente pelo uso da peruca. Em alguns momentos, o acabamento chama atenção e pode soar artificial, afastando um pouco o espectador da imersão. Ainda assim, arrisco-me a pontuar que, parte dessa percepção também está ligada à forte imagem que Dwayne Johnson construiu ao longo da carreira. Acostumado a vê-lo em grandes franquias de ação e aventura, é natural que o público precise de alguns minutos para dissociar o ator dessa figura já conhecida e enxergá-lo completamente como o semideus da Disney.


Nos aspectos técnicos, o filme impressiona pelo nível de produção. A direção de fotografia de Óscar Faura valoriza as paisagens paradisíacas da Polinésia por meio de uma fotografia vibrante, repleta de luz natural e cores intensas, enquanto a direção de arte recria com riqueza de detalhes a vila de Motunui, suas embarcações, construções, objetos tradicionais e toda a atmosfera cultural apresentada na animação. O figurino reforça essa autenticidade ao se inspirar em referências reais da cultura polinésia, contribuindo para uma ambientação visualmente encantadora.



A trilha sonora sempre foi um dos elementos mais marcantes da franquia. As canções compostas por Lin-Manuel Miranda, Opetaia Foaʻi e Mark Mancina retornam com novos arranjos e interpretações, preservando toda a emoção que conquistou o público na animação. Somada à trilha instrumental, a música continua sendo parte essencial da narrativa, conduzindo cada momento da jornada de Moana com sensibilidade e emoção, transmitindo a coragem e determinação da personagem. Em diversos momentos, a força das canções, aliada às imagens, é capaz de emocionar até mesmo quem já conhece essa história de cor.


O filme não busca ser audacioso nem reinventar uma história que já conquistou milhões de espectadores. Em vez disso, aposta na fidelidade como sua principal força e, de modo geral, cumpre o que promete: entregar uma experiência visualmente deslumbrante, emocionalmente envolvente e familiar.


Com cerca de 120 minutos, Moana se torna o live-action mais longo da Disney. Embora o ritmo possa parecer um pouco mais lento em alguns momentos, isso não compromete a experiência de forma significativa. No fim das contas, a percepção sobre o filme depende muito da relação que cada espectador constrói com a história. Para alguns, ele pode parecer mais do mesmo; para outros, será uma experiência emocionante e nostálgica. É justamente essa conexão individual que define se o longa funciona ou não para quem está do outro lado da tela.




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