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Missão Refúgio | Crítica sem spoilers

  • há 15 minutos
  • 3 min de leitura

Se tem um nome que é sinônimo de porradaria franca e diversão garantida nos cinemas, esse nome é Jason Statham. Por isso, quando a Diamond Films anunciou o longa para este mês de Março, muita gente já preparou o espírito para mais um capítulo de ação desenfreada. No Brasil, a obra saiu com o nome Missão Refúgio, um título bem sem personalidade, não é? Mas, para ser sincero, ele combina perfeitamente com o projeto. O que deveria ser um retorno triunfante do astro ao estilo que o consagrou acaba se revelando uma experiência sem alma, que tenta pegar carona na fama de seu protagonista para entregar um resultado que simplesmente não decola.



A história nos apresenta Michael Mason, um sujeito que decidiu trocar a adrenalina das operações especiais pelo isolamento total em um farol na costa da Escócia. Tudo muda quando ele se vê obrigado a proteger a jovem Jessie após um incidente que traz à tona fantasmas de seu passado no MI6. A grande questão é que a produção se comporta como um verdadeiro wanna be de filmes de espião, tenta emular toda aquela atmosfera de conspiração e "agente contra o sistema", mas sem o brilho ou a engenhosidade que o gênero exige. A sensação é de estarmos vendo uma versão genérica de Carga Explosiva que esqueceu de levar a própria personalidade para o set.



Quando olhamos para o roteiro, o castelo de cartas começa a ruir rapidamente. Até existe uma tentativa de justificativa para as ações em tela, mas a contextualização é tão rasa que chega a ser desanimadora. O texto exige que o espectador aceite qualquer absurdo sob o eterno pretexto de que "ele faz isso porque já foi um agente secreto", como se essa frase fosse um passe livre para ignorar a lógica. Essa falta de profundidade faz com que os eventos se desencadeiem de forma simplória, sem qualquer peso real nas escolhas dos personagens. No fim, a obra beira um besteirol genérico de ação onde as situações acontecem "porque sim", resultando em um enredo arrastado e objetivos mal elaborados.



O sentimento de desperdício fica ainda mais nítido quando olhamos para o elenco. Jason Statham faz o que sempre fez nos últimos vinte anos, mas aqui ele parece genuinamente entediado. É uma pena ver nomes do calibre de Bill Nighy e Naomi Ackie presos a personagens tão desinteressantes e superficiais que poderiam ter sido interpretados por qualquer figurante sem que fizesse a menor diferença. Por outro lado, vale um ponto positivo para a pequena Bodhi Rae Breathnach. Por ser uma atriz mirim muito nova, sua performance naturalmente não atinge picos de brilhantismo, mas dentro do que o material limitado permitia, ela entrega quase que o suficiente para não comprometer suas cenas.



Nem mesmo o visual consegue salvar o conjunto. O filme até tenta criar um clima interessante, apoiando-se nos tons frios e na melancolia da costa escocesa para dar um ar de seriedade, mas esse esforço estético acaba isolado, já que não encontra respaldo nas sequências de ação. As lutas são pífias e sofrem de um mal comum: parecem coreografadas demais, perdendo aquele senso de realidade e brutalidade. Em vez de um combate orgânico, o que vemos em tela soa artificial e ensaiado, o que tira qualquer impacto dos confrontos. Para fechar o pacote desanimador, a trilha sonora é totalmente sem sal, falhando miseravelmente em dar fôlego aos momentos que deveriam ser o ápice da adrenalina.



Colocando tudo na balança, o que sobra é uma experiência frustrante que não parece saber exatamente o que quer entregar ao público. Na verdade, o filme até tenta seguir a cartilha da ação tradicional, mas falha em um ponto crucial: a empolgação. Enquanto no primeiro Carga Explosiva a gente vibrava a cada sequência, aqui o sentimento é de indiferença. Ele se leva muito a sério como um aspirante a suspense de espionagem, mas que infelizmente não empolga em nada. Se você busca uma obra com substância ou minimamente bem executada, a nova parceria de Ric Roman Waugh e Jason Statham deixa bastante a desejar.



Afinal, o longa é tão genérico que se você trocar o título por "Missão Qualquer Coisa" e colocar outro ator de cara fechada no lugar, ninguém nota a diferença. Se o Michael Mason queria se esconder no farol, eu também saí da sessão querendo um refúgio, de preferência um onde o roteiro não pareça ter sido gerado por um algoritmo que só assistiu a filmes de espião de baixo orçamento.


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