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Marty Supreme | Crítica sem Spoilers

  • Foto do escritor: Bruno Almeida
    Bruno Almeida
  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

Há personagens que buscam reconhecimento. Outros querem controle. Marty Mauser quer tudo ao mesmo tempo, e não sabe muito bem o que fazer quando consegue. Marty Supreme, dirigido por Josh Safdie, é menos um filme sobre ascensão e mais um retrato inquieto de alguém que transforma talento em obsessão e ambição em ruído. É um estudo sobre ego em combustão contínua, filmado com a urgência de quem nunca aprendeu a parar.


Inspirado livremente na figura real do lendário jogador de tênis de mesa Marty Reisman, o filme acompanha Marty Mauser, um competidor compulsivo, carismático e profundamente autocentrado. O esporte, aqui, é apenas o palco. Safdie está interessado no que acontece quando vencer deixa de ser objetivo e passa a ser identidade. Cada partida é um teste de validação. Cada derrota, uma ameaça existencial.



Timothée Chalamet entrega, sem exagero, a melhor atuação de sua carreira. Distante de qualquer resquício de ingenuidade ou romantização, o ator constrói um protagonista desconfortável, irritante e magnético. Marty é vaidoso, impulsivo, agressivo na fala e nos gestos, alguém que parece sempre performar para um público invisível. Chalamet domina esse desequilíbrio com precisão impressionante, transformando excessos em linguagem corporal. Não há concessão ao carisma fácil, apenas entrega total ao colapso emocional do personagem.


Não por acaso, Marty Supreme já surge como um dos principais veículos da temporada de premiações. Chalamet desponta como um dos grandes favoritos ao Oscar de Melhor Ator, numa disputa que promete ser intensa. Para o público brasileiro, há um dado ainda mais simbólico: o ator irá cruzar diretamente o caminho de Wagner Moura, cotado pelo trabalho em O Agente Secreto. Dois estilos opostos, duas escolas de atuação diferentes, disputando o mesmo espaço de reconhecimento internacional.



Josh Safdie, agora dirigindo sozinho, mantém intacta sua assinatura estética. A câmera inquieta, a montagem sufocante e o desenho de som agressivo criam um ambiente de constante pressão. O filme nunca desacelera porque Marty nunca desacelera. A narrativa é fragmentada, repetitiva, quase circular, não por falha estrutural, mas por coerência temática. Estamos presos à mente de alguém que confunde movimento com progresso.


Ainda assim, o excesso cobra seu preço. Em determinados momentos, o filme parece mais fascinado por sua própria energia do que interessado em aprofundar conflitos secundários. Personagens surgem e desaparecem sem maior impacto, e algumas passagens soam mais como impulsos do que como construção dramática. Safdie aposta tudo na experiência sensorial, mesmo sabendo que isso pode afastar parte do público.



No fundo, Marty Supreme fala sobre masculinidade, ego e a armadilha do sucesso como único parâmetro de valor. Não há redenção clara, nem aprendizado definitivo. Cada vitória apenas amplia o vazio seguinte. O filme entende que a obsessão não termina no topo, ela apenas muda de forma.


Marty Supreme não é um filme sobre vitória, mas sobre o preço de transformar reconhecimento em obsessão. Josh Safdie constrói um retrato incômodo de um homem que confunde movimento com grandeza e barulho com legado. Sustentado por uma atuação monumental de Timothée Chalamet, o filme avança sem pedir permissão, tropeça em seus excessos, mas nunca perde sua pulsação. Pode não ser equilibrado, nem confortável, mas é impossível ignorá-lo. No fim, o longa deixa claro que algumas conquistas não libertam, apenas revelam, com mais nitidez, o vazio que sempre esteve lá.


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