Jurassic World: Domínio é Nostalgia Pura | Crítica SEM Spoilers

Há quase 30 anos estreava nos cinemas Jurassic Park, baseado no best seller de Michael Crichton, o filme virou um marco na cultura pop, sendo um sucesso na década de 90, levando 3 Oscars para casa. A franquia inicial teve mais dois filmes, que também foram sucesso absoluto de bilheteria, apesar das críticas mistas no terceiro filme da trilogia clássica. Considerada um dos clássicos do gênero de aventura, a trilogia “Jurassic Park” parecia ter terminado em 2001 quando, 14 anos depois, veio as sequências intituladas “Jurassic World” para dar novos ares à franquia.




O primeiro longa dessa nova "Fase", intitulado Jurassic World, foi bem aceito pelos fãs. Pudemos contemplar finalmente o parque, totalmente moderzinado, funcionando a pleno vapor na Ilha Nublar, concretizando o sonho de John Hammond, até as coisas mais uma vez saírem do controle, por causa da ganância humana associada a descobertas e experiências genéticas e criação de dinossauros híbridos. Essa também foi a ideia roteirizada na sequencia Jurassic World: Reino Ameaçado, porém com outro dinossauro híbrido como vilão, além da destruição total da ilha nublar por causa de um vulcão "adormecido" .


Já o terceiro e último filme dessa nova trilogia, Jurassic World: Domínio abraça o fã da franquia, faz um cafuné e depois dá um choque de 10.000 volts! Apelando bastante para a nostalgia e trazendo cenas de ação e aventura de tirar o fôlego.


Encontro de gigantes com outro gigante! Eita... não, pera! Corre!

A ideia de trazer de volta a trindade clássica neste "Grand finale" foi inteligente e funcional. O encontro de Allan Grant (Sam Neil), Ellie Sattler (Laura Dern) e o maravilhoso Ian Malcolm (Jeff Goldblum), unindo forças com Owen Grady (Chris Pratt) e Claire Dearing (Brice Dallas Howard) funciona muito bem na telona, vimos uma boa química entre os dois grupos.


E caso você, assim como eu, tenha ficado com um pé atrás, achando que o trio clássico da franquia iria ficar em segundo plano neste longa, se enganou. Eu diria que a trindade clássica do extinto Jurassic Park tem até mais protagonismo do que a dupla Owen (Chris Pratt) e Claire (Brice Dallas Howard). O roteiro traça 2 rotas para cada grupo, fazendo com que em determinado momento as aventuras de cada equipe acabe em um mesmo local e momento específico, fazendo o tão aguardado encontro dos dois times! A direção teve o cuidado de dar 50% de atenção para cada equipe dentro do roteiro, embora o arco envolvendo o trio clássico tenha mais importância dentro da narrativa , e no final das contas, funcionou muito bem.




Ah sim! Não poderia deixar de mencionar a ideia brilhante do diretor Colin Trevorrow de trazer novos dinossauros, dois deles bem exóticos, sinistros e ao mesmo tempo lindos de se ver! Como é o caso do Pyroraptor e do sinistro Therizinossauro.



O letal PyroRaptor!


Therizinossauro, o dinossauro mais sinistro que você vai ver neste filme!

Além de trazer de volta o trio clássico da franquia, um acerto bem inteligente do diretor Trevorrow foi utilizar um personagem até então "esquecido" pelos fãs da franquia clássica, mas que na verdade sempre foi o verdadeiro vilão, responsável por tudo que deu errado no primeiro parque. Sim meus caros! E eu não estou falando do icônico personagem Dennis Nedry (Wayne Knight), programador do Jurassic Park que tentou roubar alguns embriões com um Spray Falso de Espuma pra barbear. Não não! Estou falando do Dr. Lewis Dodgson, o cara que pagou a Dennis Nedry para roubar os embriões da InGen no Jurassic Park, para levar para sua própria empresa, a Biosyn.



Lewis Dodgson e Dennis Nedry em Jurassic Park.

Dodgson (CEO da BioSyn) em Jurassic World Domínio.

A ideia de trazer Dodgson e colocá-lo como o verdadeiro antagonista da franquia desde Jurassic Park até os eventos de Jurassic World é simplesmente genial, uma grata surpresa.


Uma das reflexões propostas por Jurassic Park, e que também permeia Domínio, último capítulo da franquia, é como os seres humanos deveriam lidar com a presença de dinossauros no mundo; servindo como alegoria sobre a relação entre homem e natureza. Confesso que, após assistir a terceira parte de Jurassic World, tive uma certeza: a franquia deve terminar. Ou ao menos ter um descanso. Depois de vários filmes e diferentes diretores no projeto, a produção passou da fase do desgaste e não tinha outra alternativa nessa terceira saga, restava encerrar entregando um caminhão de fan-service.


Fica claro a cada episódio como esse mundo jurássico só funcionou realmente nas mãos de Steven Spielberg. Não pelo universo em si, mas pela habilidade do diretor em transformar cada cena em algo épico, agoniante ou encantador. Cinema é sobre isso, a habilidade de um realizador em nos atrair para sua obra, independente do material narrativo. Um roteiro raramente eleva uma direção ruim, mas o oposto acontece. Basta ver a quantidade de personagens e histórias memoráveis que tiveram capítulos lamentáveis nos últimos anos, como em Star Wars, por exemplo.



Perseguição estilo no Missão Impossível? Sim, nós temos!


Ocorre o mesmo em Domínio. Sem dúvida, é nostálgico assistir Laura Dern, Sam Neill e Jeff Goldblum juntos novamente, a nostalgia dura todo o primeiro ato. Em Domínio, estamos situados quatro anos após a Ilha Nublar ter sido destruída. Agora, os dinossauros vivem próximos aos seres humanos, fragilizando o ecossistema do planeta. Com isso, a classe científica passa a buscar soluções para o problema, entre eles o trio clássico do Jurassic Park. Enquanto isso, os antigos funcionários do parque Jurassic World, Owen Grady (Chris Pratt) e Claire Dearing (Bryce Dallas Howard), tentam proteger a jovem Maisi (Isabella Sermon) e a velociraptor Blue.


Colin Trevorrow em nenhum momento tenta seguir os passos de Spielberg. O diretor opta por caminhos visuais diferentes do restante da franquia. Aventura e suspense, presentes nos filmes originais, acabam em segundo plano aqui. No entanto, o diretor é ousado e tenta algo diferente, com por exemplo Atrociraptors perseguindo Owen pilotando uma moto, cena bem no estilo 007 Skyfall.






Por outro lado, senti falta de sangue no filme! Afinal, é um filme de dinossauros, e entre eles carnívoros! Vimos isso já nos filmes anteriores de Jurassic Park, mas parece que em Jurassic World o diretor tem um pouco de medo de usar e abusar deste artifício. Em cenas de ataques das criaturas não há sangue nenhum, sendo filmadas com um entediante distanciamento. O terceiro ato me incomodou um pouco por ser filmado de maneira exageradamente escura, prejudicando um pouco a imersão. Contudo, os efeitos sonoros estão perfeitos como sempre, colocando expressões bem particulares em cada dinossauro. Já a trilha sonora de Michael Giacchino tenta dar os ares épicos da trilha clássica de John Williams, mesmo que de forma tímida, a trilha original ecoa algumas vezes durante o filme. Destaque total para Jeff Goldblum, que além de trazer um pouco do cômico em meio ao caos, traz um Ian Malcolm mais maduro, calejado, famoso, porém ainda mais malandro, galanteador e sarcástico mesmo diante de situações de vida ou morte.


Ao que parece, Ian Malcolm aprendeu com seu maior erro em Jurassic Park.

O ponto forte deste filme está longe de ser o roteiro, mas o espetáculo visual, as cenas de ação e sua criatividade. Não é todo dia que se vê dinossauros andando pela terra, em alta qualidade e com cenas de ação bem divertidas e de tirar o fôlego! A direção, fotografia, o CGI, e os animatronics vale o ingresso e garantem uma boa diversão. Claramente a direção apelou para a nostalgia, mas respeitando a franquia, os personagens clássicos e todo o legado deste mundo jurássico.


A experiência para mim valeu a pena, fechando com chave de ouro! Sem necessidade nenhuma de daqui alguns anos fazerem algo a mais, não precisa, pois a universal corre o risco de estragar a franquia fazendo virar uma especie de Caça-níquel ao estilo Velozes e Furiosos, com 20 filmes, o que aí sim afundaria todo o legado da franquia.




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