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Extermínio: A Evolução | Crítica sem Spoilers

  • 19 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Danny Boyle retorna ao universo que criou em 2002 com o cultuado Extermínio estrelado por Cillian Murphy. Mas agora seu olhar está ainda mais sombrio, introspectivo e politicamente afiado. Extermínio: A Evolução é menos sobre os infectados, embora eles estejam mais grotescos e brutais do que nunca, e mais sobre o que sobra do mundo quando tudo já se foi. É um filme que se alimenta do silêncio, das memórias distorcidas e do que restou da humanidade.

Extermínio - 2002
Extermínio - 2002

A trama se passa 28 anos após o colapso devido a infecção. A Inglaterra foi isolada e esquecida, deixando os sobreviventes à própria sorte. A ilha, agora em ruínas, se transforma quase num símbolo do fracasso coletivo e do descaso humano. Nesse cenário, acompanhamos um grupo que tenta sobreviver em uma comunidade até prospera, onde até a esperança parece ser um peso difícil de carregar. Aqui, o foco não está na ação desenfreada dos dois primeiros filmes, mas em como cada personagem lida, à sua maneira, com os fantasmas do passado e as ameaças constantes do presente.

Visualmente, o filme é um espetáculo sombrio. A fotografia de Anthony Dod Mantle alterna entre paisagens melancólicas e câmeras frenéticas, que capturam tanto o vazio dos cenários quanto a tensão dos personagens. Um recurso marcante é o uso de transições com imagens reais de eventos históricos, guerras, revoltas, tragédias, que surgem como flashes do inconsciente coletivo, costurando a ficção com a realidade e nos lembrando que a história sempre repete ciclos de violência e destruição. Um artifício narrativo que reverbera muito além da tela.

O elenco entrega exatamente o que o roteiro exige: Uma intensidade contida. Jodie Comer e Aaron Taylor-Johnson oferecem interpretações consistentes e impactantes, mas é Alfie Williams, estreante, quem brilha e traz um frescor e profundidade emocional à narrativa. Seu personagem carrega o olhar curioso e vulnerável de quem nasceu após a queda da sociedade e não conhece outro mundo senão o da escassez e da vigilância constante. Crescendo numa comunidade que molda os jovens para sobreviver num ambiente devastado, ele vive um amadurecimento forçado e doloroso. Ele é o elo entre o velho mundo e um futuro incerto. Ralph Fiennes, em momentos chave, oferece uma presença magnética que acrescenta mistério e peso moral à história.

O diretor ainda brinca com o tempo e o espaço, compondo uma obra que funciona quase como uma fábula moderna, onde a ameaça não está só nos infectados, mas no que escolhemos esquecer. As cenas de ação são pontuais, cruas e impactantes, as transições entre o silêncio mortal e o horror explícito é um dos pontos altos do filme. Contudo o ritmo as vezes se torna lento e excessivamente contemplativo, com momentos que parecem se arrastar e deixam a narrativa um pouco desconexa em passagens introspectivas, como se o equilíbrio entre o choque e a reflexão não estivessem perfeitamente alinhados.

Danny Boyle não está interessado em repetir fórmulas, mesmo sendo um dos pais da nova era de filmes de "zumbis". Ele propõe, aqui, uma reflexão difícil, e se, depois de tanto tempo, não chegamos a lugar nenhum? Mesmo com a enxurrada de filmes e séries de TV do gênero, o novo capítulo da trilogia Extermínio se distancia por não entregar respostas fáceis, mas oferece um desconforto persistente, aquele tipo de incômodo que permanece mesmo depois que os créditos sobem.


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