Duna - Crítica (Sem Spoilers)

Atualizado: Nov 6

Denis Villeneuve trás de volta as telonas sua versão do livro clássico de Frank Herbert de forma épica e magistral

Depois do emocionante Incêndios, o tenso Sicário, o espetacular A Chegada e a maravilhosa sequencia Blade Runner 2049, Villeneuve se estabeleceu como um dos melhores diretores da atualidade e com sua visão de Duna mostra que veio pra ficar entre os gigantes.


O Romance de Frank Herbert lançado em 1965, é considerado até hoje um dos melhores livros de ficção científica já escrito, com a criação de um universo vasto, com personagens super bem construídos e um enredo de tirar o fôlego. Não é a toa que Duna possui gerações inteiras de fãs que o endeusam, não apenas o primeiro, mas todos o 5 livros que o sucedem.



Por conter um conteúdo rico e robusto, além de ser para alguns de difícil narrativa, Duna era considerado um livro inadaptável para outras mídias, como foi tentado por David Lynch em 1984 (apesar deste virar um certo clássico com o passar dos anos) e em uma mini-série lançada em 2000 sem muito sucesso. Em ambos os casos não conseguiram captar e desenvolver tudo o que Duna tinha a oferecer em seu vasto universo.


Quando a Legendary Entertainment adquiriu os direitos de Duna em novembro de 2016 Villeneuve já estava interessado, por fim foi a escolha certa, que chegou para escrever e dirigir o longa.


A Trama de Duna se passa a mais de 10.000 anos no futuro em meio a uma sociedade interestelar feudal na qual várias casas nobres controlam planetas, é focada na família Atreides, e principalmente em Paul, filho do duque Leto, governante da Casa.

Por razões profundamente enraizadas na política e na paranoia, a Casa Atreides foi ordenada pelo Imperador do Universo Conhecido a assumir a administração do planeta Arrakis o mais importante, por conter a substancia mais cobiçada do universo chamada de especiaria substituindo seus inimigos jurados, a Casa Harkonnen.

A especiaria que se encontra em Arrakis é de bastante importância para os locais conhecidos como Fremen, porém é ainda mais para o universo conhecido, pois somente com ela é possível realizar viagens interestrelares. Então a casa que comandar a mineração da especiaria seria a casa mais rica e poderosa, obedecendo apenas o imperador. No entanto o planeta é inóspito devido as altas temperaturas e os temidos vermes do deserto que atingem tamanhos inimagináveis.



Apesar de como citei acima "uma obra inadaptável para o cinema" não foi impecílio para Villeneuve que aceitou o desafio, e fez o que sabe fazer de melhor. Como tinha muito material para trabalhar decidiu dividir a história, e seu Duna é chamado de parte I.

Focando nos pontos chave do livro, decidiu destacar primeiramente nesses três planetas, mostrando a política de forma natural e principalmente o desenvolvimento dos personagens.


O elenco por si, foi uma escolha perfeita, com quase todos os atores e atrizes conhecidos e em alta em Hollywood como Timothée Chalamet, Rebecca Ferguson, Oscar Isaac, Josh Brolin, Stellan Skarsgård, Dave Bautista, Zendaya, Jason Momoa e Javier Bardem.

Destaque para Chalamet como o jovem Paul Atreides, que em minha opinião é o papel da sua vida até o momento, Isaac, Brolin, Skarsgård e Bautista também entregam uma das melhores atuações já vistas. Para quem é fã da Zendaya, pode se decepcionar um pouco pois ela aparece apenas em relances e uma pequena aparição no último ato, mas também se entrega ao papel.


Desde sua abertura Duna já se apresenta como um filme épico e ambicioso.

Com a trilha sonora comandada por Hans Zimmerman e o diretor de fotografia Greig Fraser, o filme já nos transporta para aquele universo de forma que quando percebemos já estamos totalmente inseridos nessa história. A Equipe de efeitos especiais não poupou esforços para deixar tudo mais verossímil, tantos os efeitos em CGI e efeitos práticos, deixando algumas das ambientações dos últimos filmes da franquia Star Wars no chinelo.


Apesar do tamanho do material original Villeneuve soube que pontos nessa sua primeira parte apresentar, para deixar o filme mais tangível para o grande publico que não tinha conhecimento anterior sobre o que é Duna, (mais que ainda assim deve fazer a legião de fãs do livro torcer o nariz por deixar algumas coisas de lado). O filme também pode não agradar a todos, devido seu tom ser mais pesado e sério, que é justamente a proposta do livro de Frank Herbert, e esperarem um filme de ficção científica com mais ação e aventura.


Villeneuve dirigiu primordialmente A Chegada, então em aspectos de escala, abertas ou fechadas, ele conseguiu superar seu trabalho anterior em Duna, além de como visto anteriormente sabemos que ele é também um ótimo diretor de atores, e os faz compreender a amplitude e profundidade de suas cenas, fazendo que eles se incorporem de forma natural nos seus planos, o que na tela nos mostra que os personagens parecem já viver naquele universo a muito tempo.



Difícil não comparar a outro diretor de obras originais como Christopher Nolan que já rasgou elogios ao filme, porem Villeneuve está fazendo filmes mais concisos e sem tanta abertura para pontos negativos em suas obras como foi o próprio Nolan em seus primeiros filmes.


Duna já é apresentado no título de abertura como parte I, contém um final aberto, que poderia ser apenas um filme belo, épico e visualmente quase perfeito, mas sem desfecho o que faria o acabamos de assistir durante 2:30 sem sentido.


Felizmente para o apreciador desta obra como eu, a Warner e a Legendary já deram sinal verde para a Parte II.


Duna é aquela obra que vai ficar marcada durante muito tempo, podendo não ser tão compreendido agora, mas com certeza será aquele filme que abrirá discussões calorosas entre amantes do cinema por muitos anos.



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