O Beco do Pesadelo | Crítica (Sem Spoilers)

Atualizado: 9 de fev.

Benicio Del Toro faz um filme noir com temática atual.


Baseado no romance de 1946 de William Leslie Graham (e, anteriormente, adaptado em 1947 pelo diretor Edmund Goulding e pelo escritor Jules Furthman), O Beco do Pesadelo, de Guillermo del Toro, parece à primeira vista ser uma investida para um dos mais conceituados amantes de suspense do cinema.


Em vez de um conto de fadas sombrio ou sobrenatural – semelhante ao vencedor do Oscar, A Forma da Água, ou seu filme de maior destaque em sua estreia em Hollywood, O labirinto do Fauno –,



O Beco do Pesadelo é um filme noir, um trabalho elegante e sombrio sobre mentiras humanas. E para quem gosta de filmes noir, densos e pesados, é um pouco mais difícil de vender do que o último filme da Marvel, mas não fica atrás como um espetáculo deslumbrante.


Como as duas versões anteriores da história, o filme de del Toro segue Stan Carlisle vivido por Bradley Cooper, um homem ansioso para deixar uma vida dolorosa para trás e assume um trabalho difícil em um parque de diversões.



À medida em que seu apetite cresce, Stan finalmente tenta, por conta própria, fazer seu próprio e bem-sucedido "parque", voltado para uma multidão rica. Stan conhece a sedutora Dra. Lilith Ritter, vivida por Cate Blanchett. Se trata de uma psicóloga que, a princípio, é cética em relação a tudo que ele faz e é interessada em achar brechas em seus atos.

Em pouco tempo, sua combinação de inteligência resulta em uma proposta de parceria e um golpe perigoso: convencer um homem recluso e extraordinariamente rico de que Stan pode ajudá-lo a ver sua falecida esposa novamente.



Beco do Pesadelo é um lindo filme que nos leva para as ruas escuras da cidade e para propriedades luxuosas – tudo entrelaçado em uma história em que todos, em todos os lugares, estão ansiosos para se enganarem.


Beco do Pesadelo começa com Stan Carlisle em admiração por seu ato genial da criação de seu parque. Uma tradição com tema de horror cinematográfico que remonta aos notórios filmes de terror da década de 30.



O longo caminho que leva entre o início e o fim, mostra Stan como um estudante, um mestre, e isso é uma das poucas falhas do roteiro do filme de Del Toro.


Na primeira metade do filme, Stan está cercado por pessoas que mentem por vários motivos, sendo a principal diferença o fato de como eles encaram suas verdades.


Alguns personagens, como os videntes Zeena e Peter Krumbein (Toni Collette e David Strathairn), veem seus clientes com compaixão, usando seus atos para entreter e esclarecer. Eles aderem a um código moral, dizendo às pessoas o que elas queres ouvir. Mas sem a exploração mostrada anteriormente.



Há um poder difícil em saber mentir e manipular uma multidão, como Stan. Ele é egoísta, um homem que valoriza sua capacidade de tornar os outros transparentes e ele próprio gracioso, e determinado a usar essas habilidades para promover sua própria ambição. Para uma história sobre arrogância, ele é perfeito, um homem bonito e aparentemente capaz, com um longo caminho a percorrer antes de ser rebaixado.


As melhores atuações, por definição, são muito bem memoráveis: Straitharn oferece uma performance trágica, mas bonita, como a coisa mais próxima de um centro moral que Beco do Pesadelo tem. Dafoe é propositalmente sinistro, como o chefe Carney Clem. E Blanchett é uma personagem completa, totalmente formada e pronta para conhecer Stan enquanto ele sai da vida carnal e veste um terno para ganhar uma suíte de cobertura enquanto engana os ricos da época.




Beco do Pesadelo é uma adaptação cuidadosa e bem escrita de uma obra onde suas dimensões mais interessantes são aquelas que emergem quando o espectador pergunta “Por que contar essa história agora?”. Seu roteiro, de Del Toro e Kim Morgan, não é didático e nem é um afastamento drástico das versões anteriores. E, no entanto, é um dos poucos grandes filmes de estúdio que sentem mais interessados nesse momento.


Beco do Pesadelo é um drama sórdido sobre mentirosos e o que faz as pessoas acreditarem neles, um ciclo de exploração onde riqueza e privilégio são as únicas linhas tênues que separam um vigarista de um otário. Crucialmente, o filme passa muito pouco tempo no real "Beco do Pesadelo", mas está sempre lá. Existem inúmeros Becos do Pesadelo no mundo todo, inclusive no Brasil. E no momento em que você pensa que está perto de acabar, é o momento em que está condenado a ficar preso nele.



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